Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765–1805), conhecido simplesmente como Bocage, foi um dos maiores poetas portugueses do século XVIII. Nascido em Setúbal, destacou-se por sua poesia intensa, lírica e satírica, que transitava entre o sentimentalismo do Arcadismo e a ousadia pré-romântica. Sua vida boêmia e turbulenta refletiu-se em seus versos, que mesclavam temas amorosos, sociais e existenciais, muitas vezes com forte tom crítico.
Bocage ficou célebre tanto por sua poesia erótica e irreverente, que lhe trouxe perseguições e prisões, quanto por seus sonetos de grande beleza e profundidade. Esses poemas revelam sua habilidade em lidar com a forma clássica, mas também sua capacidade de expressar emoções intensas e contraditórias, como a melancolia, a paixão e a ironia diante da vida.
Apesar de ter vivido apenas 40 anos, Bocage deixou uma obra vasta que continua a influenciar a literatura em língua portuguesa. Ele é lembrado não só como um mestre do soneto, mas também como um poeta que soube traduzir em versos a inquietação de seu tempo. Sua figura permanece como símbolo da liberdade criativa e da força da poesia portuguesa.