Resumo

As Religiões no Rio

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Resumo da Obra

““As Religiões no Rio” é uma obra seminal de João do Rio, publicada no início do século XX, que mergulha nas profundezas da alma carioca através de sua complexa tapeçaria religiosa. O autor, um mestre da crônica e observador aguçado, empreende uma jornada corajosa e detalhada pelas diversas manifestações de fé que pulsavam na então capital federal, revelando um universo de crenças e superstições que moldavam o cotidiano da cidade.

Longe de um estudo puramente acadêmico, o livro se apresenta como um mosaico de reportagens e impressões, nas quais João do Rio se imiscui em ambientes muitas vezes marginalizados ou pouco compreendidos pela sociedade da época. Seu objetivo era desvendar os mistérios e as particularidades de um povo que, apesar da modernização aparente, mantinha laços profundos com o sagrado, o místico e o sobrenatural, em suas múltiplas formas.

A religião católica, dominante e oficial, é retratada em suas variadas nuances. João do Rio não se limita às grandes igrejas e às celebrações formais, mas explora a devoção popular, os santos de rua, as promessas, as romarias e a fé singela que permeava o dia a dia do carioca, mostrando como o catolicismo se adaptava e se mesclava com outras crenças no imaginário coletivo.

Em ascensão na virada do século, o espiritismo é investigado com uma curiosidade quase científica. O autor visita centros espíritas, participa de sessões mediúnicas e descreve o fascínio que a comunicação com os mortos exercia sobre intelectuais e a alta sociedade, oferecendo uma nova perspectiva sobre a vida após a morte e o propósito da existência. Ele capta a seriedade e a esperança que o espiritismo trazia aos seus adeptos.

O ponto alto da coragem e da originalidade de João do Rio reside em sua incursão pelas religiões de matriz africana, então estigmatizadas e perseguidas, genericamente chamadas de “macumba”. Ele adentra os terreiros escondidos, descreve os rituais, os tambores, os cânticos e a possessão pelos orixás e entidades, revelando a riqueza cultural e espiritual dessas práticas, em um tempo de profundo preconceito e desconhecimento.

O livro destaca o intenso sincretismo religioso presente no Rio, onde elementos católicos se fundiam com a espiritualidade africana e o espiritismo. João do Rio explora também a vasta gama de crenças populares: benzedeiras, cartomantes, curandeiros, charlatães e adivinhos, mostrando como a busca por soluções para os problemas cotidianos levava as pessoas a esses intermediários do sagrado, muitas vezes à margem da lei.

A prosa de João do Rio é vívida e envolvente, característica de seu jornalismo literário. Ele utiliza descrições detalhadas, diálogos capturados com perspicácia e uma capacidade ímpar de pintar cenários e personagens com poucas palavras, transformando cada reportagem em uma experiência imersiva para o leitor. Sua voz é a de um observador participante, por vezes irônico, mas sempre interessado e respeitoso.

“As Religiões no Rio” transcende a mera descrição para se tornar um importante documento sociológico e etnográfico. Ao mapear as crenças, o autor oferece um retrato multifacetado da sociedade carioca, revelando suas tensões sociais, preconceitos, esperanças e a maneira como a fé servia tanto como consolo quanto como forma de resistência em um período de intensas transformações urbanas e culturais.

A obra é um marco na literatura brasileira e no jornalismo, sendo um dos primeiros estudos a abordar as religiões afro-brasileiras de forma tão direta e aprofundada, abrindo caminho para futuros pesquisadores e escritores. Sua influência perdura como um testemunho da diversidade religiosa e da complexidade cultural do Brasil, particularmente do Rio de Janeiro.

Em suma, “As Religiões no Rio” é muito mais do que um inventário de crenças; é um mergulho na alma de uma cidade e de um povo, revelando a persistência do sagrado em suas mais diversas e surpreendentes formas. A obra permanece atual por sua capacidade de expor as camadas mais profundas da identidade brasileira, marcada pela mistura e pela inabalável busca por sentido e transcendência.”

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