Afonso Henriques de Lima Barreto (1881–1922) foi um dos mais importantes escritores brasileiros do início do século XX. Nascido no Rio de Janeiro, destacou-se como romancista, contista, cronista e jornalista, sendo reconhecido por sua escrita crítica e engajada, que denunciava as desigualdades sociais, o racismo estrutural e a hipocrisia das elites brasileiras. Sua trajetória pessoal, marcada por dificuldades financeiras e problemas de saúde, refletiu-se na sua literatura, que deu voz às camadas populares e marginalizadas da sociedade.
Entre suas principais obras estão Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), romance de forte tom autobiográfico que critica o racismo e o funcionamento da imprensa, e Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915), considerado seu trabalho mais célebre, no qual apresenta uma sátira amarga ao nacionalismo ingênuo e às contradições políticas do Brasil da Primeira República. Lima Barreto também produziu contos, crônicas e textos jornalísticos que revelam seu olhar atento e crítico sobre a vida urbana.
Mesmo enfrentando preconceitos e sendo, em vida, pouco valorizado pelos círculos literários dominantes, Lima Barreto consolidou-se como uma das vozes mais originais da literatura brasileira. Após sua morte precoce, sua obra passou a ser redescoberta e reconhecida por sua profundidade social e literária. Hoje, ele é considerado um dos maiores cronistas das injustiças e contradições do Brasil, com escritos que permanecem atuais e relevantes.