Capa do livro Diário Íntimo
Biografia e memórias · Português · Domínio público

Diário Íntimo

por Afonso Henriques de Lima Barreto

3,0 · 1 avaliação
Publicação 1953
Idioma Português
Domínio público Sem cadastro Obra completa

Sobre o livro

Diário Íntimo reúne as anotações pessoais que Lima Barreto fez durante quase vinte anos e que não esperava ver lidas. O livro saiu em 1953, mais de trinta anos depois da morte do escritor, organizado por Francisco de Assis Barbosa a partir de cadernetas e papéis soltos. As notas datadas vão de 1903, quando ele tinha 22 anos, a dezembro de 1921.

Do que trata Diário Íntimo

Não há enredo. São notas de tamanhos muito diferentes: contas do mês, listas de palavras, planos de romances, retratos de colegas de repartição e, de vez em quando, páginas inteiras de confissão. Os assuntos que voltam são a falta de dinheiro, a doença mental do pai, o tédio do emprego de amanuense na Secretaria da Guerra e a vontade de ser um grande escritor.

O preconceito de cor atravessa o livro. Em dezembro de 1904, depois de ser tomado por contínuo pela terceira vez, ele anota: “eu, mulato ou negro, como queiram, estou condenado a ser sempre tomado por contínuo”. Em 1908, quando só a ele pedem o convite na entrada de um navio, escreve: “É triste não ser branco”. Há também um texto de 1905 contra as teorias que dividiam a humanidade em raças superiores e inferiores e que, na época, eram apresentadas em nome da ciência.

O diário registra ainda o que ele via na rua. As páginas sobre novembro de 1904 descrevem a repressão aos protestos contra a vacina, com presos espancados na ilha das Cobras e mandados para o Acre. Os últimos anos são mais secos: as datas das duas internações no hospício, a bebida, a aposentadoria em dezembro de 1918.

Um caderno de trabalho

Quem conhece os romances encontra aqui a oficina. Entre as notas de 1904 aparece o primeiro esquema de Clara dos Anjos, com uma tabela de datas para a vida da personagem. Em 1908 ele menciona Recordações do Escrivão Isaías Caminha, publicado no ano seguinte. As notas de 1910 trazem a ordem dos capítulos de O Triste Fim de Policarpo Quaresma, e uma anotação de 1916 conta que o romance foi escrito “em dois meses e pouco” e impresso com dinheiro emprestado. Sobre Numa e a Ninfa, diz que o escreveu em vinte e cinco dias, logo que saiu do hospício.

Um livro irregular

Convém saber que a leitura é desigual. Janeiro de 1905 tem nota quase todo dia; 1912 se resume a meia dúzia de apontamentos curtos, e não há nada de 1901, 1902 ou 1909. Muitas entradas são lembretes que só faziam sentido para o autor, como a lista das pessoas a quem deu exemplares de um livro. E o Lima Barreto do diário nem sempre é simpático. Fala com dureza da companheira do pai e da própria irmã e, ao comentar o enterro de José do Patrocínio, chama-o de “lacaio de todos os patoteiros”. Ele sabia o que tinha escrito: numa nota de 1905, pede a quem usar esses papéis “o máximo cuidado e discrição”.

Sobre esta edição

O arquivo é um PDF de 135 páginas. As anotações vêm separadas por ano. A de 1900 é um trecho de ficção passado na Escola Politécnica; o diário propriamente dito começa em 1903. Depois da última nota, o arquivo traz a “primeira versão incompleta” de Clara dos Anjos, datada de 1904, em quatro capítulos, que se interrompe no meio de um diálogo. Não há prefácio nem notas de rodapé. Lima Barreto morreu em 1922, e sua obra está em domínio público no Brasil.

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Domínio público Sem cadastro Obra completa

Ficha técnica

Título
Diário Íntimo
Autor
Afonso Henriques de Lima Barreto
Ano de publicação
1953
Gênero
Biografia e memórias
Idioma
Português
Formato
PDF e EPUB
Licença
Domínio público

Perguntas frequentes sobre Diário Íntimo

O Diário Íntimo de Lima Barreto é um romance?

Não. São anotações pessoais, sem enredo, que o autor não publicou em vida. O livro foi montado depois de sua morte e saiu em 1953.

Que período o Diário Íntimo cobre?

As notas datadas vão de 12 de junho de 1903 a 13 de dezembro de 1921. Antes delas há um trecho de ficção datado de 2 de julho de 1900. Lima Barreto morreu em novembro de 1922.

Lima Barreto fala do hospício no Diário Íntimo?

Fala pouco. Anota que esteve internado de 18 de agosto a 13 de outubro de 1914 e, de novo, de 25 de dezembro de 1919 a 2 de fevereiro de 1920. Da segunda vez, comenta que foi bem tratado, mas que os outros internos eram perigosos. Essa segunda internação deu origem a O Cemitério dos Vivos, que ele deixou inacabado.

O que Clara dos Anjos tem a ver com o Diário Íntimo?

O diário guarda as primeiras notas do romance, e o arquivo inclui, no fim, a versão que Lima Barreto começou em 1904 e não terminou. Nela a história começa em 1886 e Clara é filha de um contínuo, Manuel Antônio dos Anjos. O romance conhecido por esse título só foi publicado em 1948.

Quem escreveu Diário Íntimo?

Diário Íntimo é uma obra de Afonso Henriques de Lima Barreto (1881–1922).

Qual é o ano de publicação de Diário Íntimo?

A primeira publicação de Diário Íntimo é de 1953.

Diário Íntimo está em domínio público?

Sim. A obra está em domínio público, então você pode baixar, ler e compartilhar de graça e dentro da lei.

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Onde encontro um resumo de Diário Íntimo?

O resumo de Diário Íntimo está aqui no site e conta o enredo do começo ao fim.

Como citar Diário Íntimo (ABNT)

LIMA BARRETO, Afonso Henriques de. Diário Íntimo. [S. l.]: Livros Domínio Público, 2025. E-book. Disponível em: https://livrosdominiopublico.com.br/diario-intimo/. Acesso em: 4 nov. 2026.

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Foto de Afonso Henriques de Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto

1881–1922 Rio de Janeiro (RJ), Brasil 18 obras

Afonso Henriques de Lima Barreto (1881–1922) foi um dos mais importantes escritores brasileiros do início do século XX. Nascido no Rio de Janeiro, destacou-se como romancista, contista, cronista e jornalista, sendo reconhecido por sua escrita crítica e engajada, que denunciava as desigualdades sociais, o racismo estrutural e a hipocrisia das elites brasileiras. Sua trajetória pessoal, marcada por dificuldades financeiras e…

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