Dom Casmurro é um romance de Machado de Assis, publicado pela Livraria Garnier com data de 1899; os exemplares só começaram a circular em 1900. Quem conta a história é Bento Santiago, um advogado que vive sozinho no Engenho Novo e resolve escrever sobre a própria vida. O centro do livro é o amor dele por Capitu, a vizinha de infância, e a certeza a que chega, já casado, de que ela o traiu com o melhor amigo.
Do que trata Dom Casmurro
A história começa em 1857, na Rua de Mata-cavalos, no Rio de Janeiro. Bentinho tem quinze anos e escuta, atrás da porta, o agregado José Dias lembrar a D. Glória a promessa que ela fez a Deus de tornar o filho padre. Na mesma conversa, José Dias avisa que o menino anda “metido nos cantos” com a filha do vizinho. É assim que Bentinho descobre que gosta de Capitu, e ela dele.
Mais de dois terços do livro se passam antes do casamento. Os dois tentam escapar do seminário, e é Capitu, aos catorze anos, quem pensa os planos. Bentinho acaba indo para o seminário de São José, onde conhece Escobar. É de Escobar a ideia que o tira de lá: D. Glória paga os estudos de um órfão, que se ordena no lugar do filho. Bentinho se forma em Direito, casa com Capitu em 1865, e Escobar casa com Sancha, amiga de colégio dela.
Depois nasce Ezequiel. O menino cresce e Bento passa a ver nele os gestos, os olhos e por fim o rosto de Escobar. Escobar morre afogado em 1871; no velório, Bento repara no modo como Capitu olha o morto. A suspeita vira certeza, o casamento acaba, e Bento leva a mulher e o filho para a Suíça e volta sozinho.
Quem conta a história
Tudo o que se sabe vem de Bento, que escreve já velho, muitos anos depois, e é parte interessada. Ele mesmo admite que a memória falha (“Não, não, a minha memória não é boa”) e que sempre foi ciumento: ainda seminarista, teve uma crise por causa de um rapaz que passou a cavalo diante da janela de Capitu. Capitu só aparece no que o marido lembra dela. Por isso o livro pode ser lido de dois jeitos, como a história de uma traição ou como a história de um homem que se convenceu dela.
Por muito tempo a primeira leitura foi a única. Em 1960, a americana Helen Caldwell publicou The Brazilian Othello of Machado de Assis e defendeu que Capitu não traiu. A comparação com Otelo, de Shakespeare, está no próprio romance: na véspera do rompimento, Bento assiste à peça no teatro e sai achando que Capitu merecia castigo pior que o de Desdêmona.
Capítulos curtos e um narrador que conversa
São 148 capítulos, alguns de poucas linhas. O narrador interrompe a história a toda hora para falar com o leitor ou comentar o próprio livro. É, provavelmente, o lado difícil de Dom Casmurro: quem quer saber logo o que aconteceu vai achar o passo lento. A distribuição é desigual, e o narrador reconhece isso. No capítulo XCVII, quando Bentinho sai do seminário, ele escreve que “aqui devia ser o meio do livro” e que dali em diante vai contar tudo “a grandes pernadas”. O filho, a morte de Escobar e a separação ficam espremidos no final.
Dom Casmurro no vestibular
Com Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e Quincas Borba (1891), o romance forma o que se costuma chamar de trilogia realista de Machado. Está na lista de leituras obrigatórias da Fuvest para o vestibular de 2029.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 300 páginas com os 148 capítulos do romance, cada um com número e título. Machado de Assis morreu em 1908, portanto a obra está em domínio público no Brasil.

