O Alienista é uma narrativa de Machado de Assis que saiu em partes na revista A Estação, de 15 de outubro de 1881 a 15 de março de 1882, e entrou no mesmo ano no livro Papéis Avulsos. Tem 13 capítulos com título e ocupa 36 páginas nesta edição, o que explica por que uns a chamam de conto e outros de novela.
Do que trata O Alienista
Simão Bacamarte, médico que estudou em Coimbra e Pádua, se instala na vila de Itaguaí e convence a Câmara a construir um asilo para os loucos da região, a Casa Verde, nome que vem da cor das janelas. Depois decide que a razão é “o perfeito equilíbrio de todas as faculdades” e que, fora disso, tudo é loucura. Começa então a recolher gente que a vila considerava normal: o Costa, que emprestou a herança inteira; a prima que foi pedir por ele; o albardeiro Mateus, que passava as tardes à janela da casa nova.
O medo gera a revolta dos Canjicas, liderada pelo barbeiro Porfírio. Parte dos soldados passa para o lado dos revoltosos, e o barbeiro toma o governo da vila, mas em vez de fechar a Casa Verde tenta negociar com o médico. Quando quatro quintos da população estão internados, Bacamarte inverte a teoria.
O narrador e a ironia
A história se passa “em tempos remotos”, no tempo de el-rei e do vice-rei, e o narrador diz seguir “as crônicas da vila de Itaguaí”. Isso lhe permite comentar tudo com falsa seriedade: chama o médico de “grande homem” enquanto conta que ele internou a própria mulher por hesitar entre dois colares. As personagens são mais tipos do que pessoas, e quem procura a psicologia de Dom Casmurro provavelmente vai achar pouco.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 36 páginas com o texto integral, do capítulo I, “De como Itaguaí ganhou uma casa de orates”, ao XIII, “Plus ultra!”. Segundo a nota de abertura, o texto segue a Obra Completa da Nova Aguilar (1994) e vem da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP. Machado de Assis morreu em 1908, e a obra está em domínio público no Brasil.

