Os manuais escolares dividem a literatura brasileira em escolas literárias, também chamadas de estilos de época. A divisão é uma convenção didática: os autores não escolhiam uma escola, e os historiadores discordam das datas. Mas ela ajuda a organizar a leitura, e é o que costuma cair em prova.
Esta página percorre as escolas em ordem cronológica, diz o que cada uma busca e aponta livros do acervo que servem de exemplo. Todos os livros estão em PDF, com resumo, e podem ser baixados de graça. As datas de início seguem a convenção mais comum nos livros didáticos e podem variar de uma obra de referência para outra.
Quinhentismo (século XVI)
Reúne textos escritos no Brasil ou sobre o Brasil logo depois da chegada dos portugueses, em 1500. Não é literatura no sentido atual: são relatos de viagem, cartas e textos de catequese. O exemplo clássico é A Carta, de Pero Vaz de Caminha, que descreve a terra e os habitantes ao rei de Portugal. Do lado da catequese, o padre José de Anchieta escreveu peças de teatro, como o Auto da Festa de São Lourenço.
Barroco (século XVII)
Os textos barrocos jogam com contrastes: o sagrado e o profano, o prazer e a culpa. No Brasil, o nome central é o do poeta baiano Gregório de Matos, e o outro é o padre António Vieira, autor de sermões como o Sermão do Mandato e o Sermão da Sexagésima. A Prosopopeia, de Bento Teixeira, é o poema que muitos manuais usam para marcar o início do Barroco no Brasil.
Arcadismo (século XVIII)
Os árcades voltam aos modelos da Antiguidade e escrevem sobre a vida simples no campo, com pastores e pastoras. Os poetas mais lidos são mineiros: Cláudio Manuel da Costa, com Vila Rica, e Tomás Antônio Gonzaga, com Marília de Dirceu. Os dois participaram da Inconfidência Mineira.
Romantismo (século XIX)
É a escola mais bem representada no acervo. Costuma ser dividida em fases.
Poesia
- Primeira geração, nacionalista e indianista: Primeiros Cantos e I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias.
- Segunda geração, a do “mal do século”, com poesia sombria e amor impossível: Lira dos Vinte Anos, de Álvares de Azevedo, e As Primaveras, de Casimiro de Abreu.
- Terceira geração, condoreira e social: O Navio Negreiro e Os Escravos, de Castro Alves.
Prosa
- Romance indianista: O Guarani e Iracema, de José de Alencar.
- Romance urbano: Senhora, Lucíola e Diva, de Alencar, e A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo.
- Romance regionalista: O Sertanejo e Til, de Alencar, e Inocência, do Visconde de Taunay.
- Romance abolicionista: A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães. A lista dos romances de Alencar por tipo está na página romances de José de Alencar.
- Prosa da segunda geração: Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo, conjunto de narrativas de tom macabro.
- Romance de costumes: Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
Realismo e Naturalismo (a partir de 1881)
Os manuais marcam o início do Realismo com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, em 1881. O Realismo olha para a sociedade de forma crítica, com foco em adultério, dinheiro e hipocrisia. Machado também escreveu Dom Casmurro, Quincas Borba e Esaú e Jacó. Dezenas de contos dele estão reunidos na página contos de Machado de Assis.
O Naturalismo é uma versão mais científica e mais crua, que trata as pessoas como produto do meio e da hereditariedade. Os exemplos do acervo são O Cortiço e O Mulato, de Aluísio Azevedo, Bom Crioulo, de Adolfo Caminha, e A Carne, de Júlio Ribeiro. O Ateneu, de Raul Pompéia, costuma ser classificado como realista ou impressionista, e os manuais divergem.
Parnasianismo
Os parnasianos pregavam a arte pela arte: forma rigorosa, vocabulário escolhido, temas objetivos. O poeta mais famoso é Olavo Bilac, com Via-Láctea e Tarde. Francisca Júlia, outra parnasiana, está em Poesias.
Simbolismo
Reação ao Parnasianismo, o Simbolismo valoriza a sugestão, a música das palavras e o mistério. O principal nome do Brasil é Cruz e Sousa, de Broquéis e Missal. Eduardo Guimaraens, simbolista gaúcho, tem A Divina Quimera.
Pré-Modernismo (início do século XX)
É uma fase de transição, sem programa comum, em que os autores olham para problemas sociais brasileiros antes da Semana de Arte Moderna de 1922. Entram aqui Os Sertões, de Euclides da Cunha, O Triste Fim de Policarpo Quaresma e Clara dos Anjos, de Lima Barreto, e Eu, de Augusto dos Anjos.
E o Modernismo?
A maior parte dos autores modernistas morreu depois de 1955 e ainda tem as obras protegidas no Brasil, por isso o acervo cobre pouco essa fase. A regra de 70 anos que libera os livros está explicada no guia sobre o Portal Domínio Público.
Perguntas frequentes
Quais são as escolas literárias do Brasil?
As mais citadas nos manuais são Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo, Pré-Modernismo e Modernismo.
Qual escola literária tem mais livros no site?
O Romantismo e o Realismo, por causa de José de Alencar e Machado de Assis.
Como usar esta lista para estudar?
Escolha uma escola, leia um livro curto de cada uma e compare. Para ver todos os livros por tipo, use os gêneros.
