A Moreninha saiu em 1844, no mesmo ano em que Joaquim Manuel de Macedo se formou em medicina no Rio de Janeiro. Conta a história de um estudante que se gaba de não amar ninguém por mais de alguns dias e de uma menina de 14 anos que o faz perder uma aposta. O livro costuma ser apontado como o primeiro romance do romantismo brasileiro.
Do que trata A Moreninha
Quatro estudantes de medicina conversam depois do jantar: Filipe, Leopoldo, Fabrício e Augusto. Filipe chama os amigos para passar a véspera e o dia de Sant’Ana na ilha onde mora sua avó, D. Ana. Augusto se declara incapaz de gostar da mesma moça por muito tempo, e Filipe aposta o contrário. O trato vai para o papel: se até 20 de agosto Augusto tiver amado uma só mulher por quinze dias ou mais, escreverá um romance contando o caso. Se não, quem escreve é Filipe.
Na ilha, Augusto conhece a irmã de Filipe, Carolina, que todos chamam de Moreninha. A primeira impressão é ruim: ele a acha estouvada e feia. Muda de ideia aos poucos, e se rende quando a vê de joelhos, lavando os pés de Paula, sua ama.
Há um obstáculo, que Augusto conta a D. Ana numa gruta do jardim. Aos 13 anos, numa praia, ele brincou com uma menina de 7 e os dois combinaram se casar quando crescessem. Juntos socorreram um velho que estava morrendo, e o velho entregou a cada um um breve, um saquinho costurado com uma lembrança do outro dentro: o camafeu dele ficou com ela, a esmeralda dela ficou com ele. Augusto nunca soube o nome da menina, mas guarda o breve e se considera comprometido.
Nos domingos seguintes ele volta à ilha, aprende a marcar lenços com Carolina, declara-se, é trancado no quarto pelo pai e adoece. Quando enfim pede a mão dela, Carolina exige que ele cumpra antes a promessa antiga e lhe entrega um breve branco. Dentro está o camafeu: ela era a menina da praia e sabia disso desde que ouvira, escondida, a conversa na gruta. No epílogo, um mês depois da aposta, Augusto avisa que o romance já está pronto e se chama A Moreninha.
O resumo de A Moreninha conta o enredo com mais detalhe.
Um romance leve, com seus limites
Macedo escreve em tom de comédia. O narrador conversa com o leitor, interrompe a ação para comentar e zomba tanto dos namoros da moda quanto da medicina do tempo. Uma das cenas mais engraçadas é, provavelmente, a “conferência” em que os quatro estudantes, diante de uma mulher que apenas bebeu demais, disputam diagnósticos com palavras inventadas. Há sarau, jogos de prendas, bilhetes anônimos e uma lenda sobre a fonte da gruta, contada por D. Ana. A Academia Brasileira de Letras, na biografia do autor, diz que o livro lhe deu fama instantânea e inaugurou a voga do romance nacional.
Algumas coisas envelheceram. O enredo depende de uma coincidência enorme, e a noiva tem 14 anos. A escravidão aparece como parte natural da casa: escravas servem o café, o moleque Tobias é descrito com comparações racistas e Augusto desconta o mau humor batendo em Rafael, o menino que o serve, sem que o narrador veja problema nisso. Em 1869 o mesmo Macedo publicou As Vítimas-Algozes, novelas em que a escravidão é o assunto. Do mesmo ano é A Luneta Mágica.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 100 páginas com o texto integral: 23 capítulos, cada um com seu título, e um epílogo. A primeira página indica como origem a Fundação Biblioteca Nacional. Um detalhe que surpreende quem conhece o livro de ouvir falar: o texto nunca dá o nome da ilha. Macedo escreve sempre “ilha de…”, com reticências.
Macedo morreu em 1882 e a obra está em domínio público. Outros livros do gênero estão na página de romances do site.

