A Luneta Mágica é um romance de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1869, em que o autor de A Moreninha troca o sentimentalismo pela fantasia satírica. O protagonista é Simplício, míope de nascença ao ponto de não distinguir um rosto a um palmo do nariz, que recebe uma luneta prodigiosa capaz de lhe abrir os olhos, literalmente e para o seu tormento.
Com a primeira lente, Simplício passa a enxergar apenas o mal: vícios, traições e interesses escondidos em cada pessoa ao redor. Com a segunda, só vê o bem, e sua ingenuidade beata torna-se tão perigosa quanto o pessimismo anterior. Entre os dois extremos, Macedo arma uma alegoria divertida sobre a impossibilidade de viver sem equilíbrio.
Romance leve, engenhoso e cheio de humor, é também uma sátira aos costumes do Rio de Janeiro do Segundo Reinado. Uma fábula sobre moderação que continua atual: enxergar só defeitos ou só virtudes é, no fundo, continuar cego.

