A Cartomante é um conto de Machado de Assis publicado na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1884, e incluído em 1896 no livro Várias Histórias. A história se passa em 1869 e tem três personagens principais: o advogado Vilela, a mulher dele, Rita, e Camilo, amigo de infância de Vilela e amante de Rita.
Do que trata A Cartomante
O conto abre com uma frase de Hamlet: “há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia”. É o que Rita diz, com outras palavras, a Camilo, que ri dela por ter consultado uma cartomante. Camilo não acredita em nada: foi supersticioso em criança e, aos vinte anos, largou as crendices e a religião.
O narrador volta então ao começo. Vilela chega da província casado, os três ficam íntimos, e Camilo e Rita se tornam amantes. Camilo recebe cartas anônimas dizendo que o caso é sabido de todos e, por cautela, deixa de frequentar a casa do amigo. Um dia chega um bilhete de Vilela: “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora.”
Camilo vai de tílburi, com medo. Na Rua da Guarda Velha, uma carroça caída fecha a passagem bem ao lado da casa da cartomante. Ele hesita, sobe e a consulta. Ela diz que nada vai acontecer a ele nem a Rita e que o marido ignora tudo. Aliviado, Camilo paga cinco vezes o preço usual e segue viagem pensando no futuro. Na casa de Vilela, encontra Rita morta sobre o canapé. Vilela o mata com dois tiros de revólver.
A ironia e os limites do conto
A cartomante não adivinha muita coisa. Diz que Camilo está assustado; é ele quem acrescenta “A mim e a ela”. O narrador dá as pistas sem comentar: ela senta o cliente de frente para a luz e o olha “por baixo dos olhos”. A ironia é que o incrédulo passa a crer justamente quando a crença o leva tranquilo para a morte.
Lido hoje, o conto parece datado num ponto. Rita é apresentada como “formosa e tonta” e comparada a uma serpente que envolve Camilo, enquanto ele é “um ingênuo”: a responsabilidade pelo adultério recai quase toda sobre ela.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 7 páginas com o texto do conto. A nota de abertura indica como fonte a Obra Completa de Machado de Assis (Nova Aguilar, 1994, volume II), em transcrição da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP. Machado de Assis morreu em 1908, portanto a obra está em domínio público no Brasil. Outros contos curtos do autor no site: Missa do Galo e Pai Contra Mãe.

