O Espelho é um conto de Machado de Assis com o subtítulo “Esboço de uma nova teoria da alma humana”. Saiu na Gazeta de Notícias em 8 de setembro de 1882 e foi reunido no mesmo ano no livro Papéis Avulsos. É uma história dentro de outra: um homem conta a amigos o que lhe aconteceu aos vinte e cinco anos.
Do que trata O Espelho
Quatro ou cinco cavalheiros discutem metafísica numa casa do morro de Santa Teresa. Um quinto, Jacobina, de quarenta a cinquenta anos, provinciano e capitalista, não discute nunca. Quando a conversa chega à natureza da alma, ele aceita falar com uma condição: ninguém o contesta, porque, se replicarem, acaba o charuto e vai dormir.
A teoria é que cada pessoa tem duas almas, uma que olha de dentro para fora e outra que olha de fora para dentro. A exterior pode ser um objeto ou uma ocupação, até “um simples botão de camisa”. Para prová-lo, Jacobina conta que, pobre e recém-nomeado alferes da Guarda Nacional, foi visitar uma tia num sítio isolado. Ali todos só o chamavam de “senhor alferes”, e “o alferes eliminou o homem”. Quando a tia viaja e os escravos fogem, ele fica sozinho, sem ninguém que o trate pelo posto, e a imagem que vê no espelho é “vaga, esfumada, difusa”. Só ao vestir a farda se enxerga inteiro de novo.
Uma teoria contada como anedota
Quase tudo é conversa ou lembrança, e Jacobina fala sozinho. O conto não o contradiz nem diz se ele fala a sério: termina com a frase “Quando os outros voltaram a si, o narrador tinha descido as escadas”. Quem procura enredo encontra pouco; o interesse está na ideia.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 6 páginas com o conto completo. A abertura indica que o texto vem da Obra Completa da Nova Aguilar (1994, v. II), da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP, e foi digitalizado pelo NUPILL, da UFSC. O site tem outra página do mesmo conto, O Espelho: Esboço de uma Nova Teoria das Almas Humanas. Outros contos do autor estão na página de contos de Machado de Assis.

