O Espelho é um conto de Machado de Assis publicado em Papéis Avulsos, em 1882, com o subtítulo provocador de esboço de uma nova teoria da alma humana. Numa noite entre amigos, Jacobina, que só aceita falar sem ser contestado, conta o episódio que o convenceu de que cada homem possui duas almas: uma que olha de dentro para fora, outra de fora para dentro.
Nomeado alferes da Guarda Nacional aos vinte e cinco anos, Jacobina vê o posto engolir a pessoa: os elogios, a farda e o tratamento reverente tornam-se sua alma exterior. Sozinho numa fazenda, abandonado por todos, ele começa a dissolver-se, até que o espelho e a farda o devolvem a si mesmo.
Em poucas páginas, Machado arma uma fábula vertiginosa sobre identidade e olhar alheio, tão atual na era das imagens quanto no Império. Uma obra-prima absoluta do conto brasileiro.




