O Livro do Desassossego é um livro em prosa que Fernando Pessoa atribuiu a Bernardo Soares, a quem chamava de semi-heterônimo. Pessoa deixou os textos soltos, sem ordem definida, e o livro ficou inacabado. São mais de quinhentos textos. A primeira edição saiu em Lisboa em 1982, pela Ática, organizada por Jacinto do Prado Coelho. O arquivo desta página não é essa obra inteira: é uma seleção curta, de 17 páginas.
O que há neste arquivo
O título no alto da primeira página é “Do Livro do Desassossego”, com o crédito “Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)”. A fonte indicada é um endereço do site da Universidade Federal de Santa Catarina. São 63 trechos, numerados de 1 a 155 com muitos saltos, e o arquivo não diz de que edição vem essa numeração.
Vários trechos são uma frase só, entre aspas: “O coração, se pudesse pensar, pararia.” ou “Eu não sou pessimista, sou triste.” Outros ocupam quase uma página, como o do órfão que chama por um pai de quem só sabe o nome, Deus, e o que tenta definir uma espiral. A grafia é a de Portugal (“abstractos”, “acção”, “cobardia”).
Quem escreve
Mesmo em pedaços, dá para conhecer o narrador. Soares trabalha num escritório da Rua dos Douradores, sob o patrão Vasques, e mora num segundo andar da mesma rua. Escreve sozinho no quarto, olha o Tejo e a Baixa, fala de tédio, de sonho e da distância entre sentir e pensar: “a maioria pensa com a sensibilidade, e eu sinto com o pensamento”. Num dos trechos cita versos de Alberto Caeiro, outro heterônimo de Pessoa, que estão em O Guardador de Rebanhos.
Por ser feita de frases soltas, a seleção lê mais como um livro de citações do que como o diário de um homem. A rotina do escritório aparece só de passagem.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 17 páginas, com cerca de 6.200 palavras. Traz 63 excertos do Livro do Desassossego, não o livro completo, e não identifica quem fez a seleção.

