Poesia é o gênero em que a lei de domínio público mais ajuda quem lê. Um poema curto cabe em uma página, e quase tudo o que foi escrito em português até o início do século XX pode ser copiado, impresso e compartilhado sem pedir licença. Este site tem mais de cem livros de poesia, de Camões a Fernando Pessoa. Esta página organiza os principais por época e diz o que esperar de cada um.
Os livros estão em PDF, com a ortografia da edição original ou de uma edição antiga. Isso importa na hora de ler: palavras como “phosphoro” ou “pharol” e o uso de “ph” e “th” aparecem em edições do século XIX e começo do XX, e a pontuação costuma ser diferente da atual.
Poesia portuguesa
Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, saiu em 1572 e é um poema épico em dez cantos sobre a viagem de Vasco da Gama à Índia. Quem quer só a poesia lírica pode começar pelos Sonetos, pelas Redondilhas e pelas Canções e Elegias, do mesmo autor.
Sonetos e Outros Poemas, de Bocage (1765-1805), traz o lado romântico e também o satírico do poeta. Antologia, de Antero de Quental, e Clepsidra, de Camilo Pessanha, são livros curtos, de leitura lenta.
Florbela Espanca é a poeta portuguesa mais procurada no site. Livro de Mágoas saiu em 1919 e A Mensageira das Violetas, em 1930. Mário de Sá-Carneiro está em Dispersão, de 1914.
Fernando Pessoa
Pessoa publicou em vida apenas um livro em português, Mensagem, em 1934. O resto da obra apareceu depois, em edições organizadas a partir dos papéis que ele deixou. Os poemas dos heterônimos estão em livros separados: O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, os Poemas de Ricardo Reis e os Poemas de Álvaro de Campos. O Cancioneiro reúne os poemas assinados por ele mesmo. A página do autor lista os demais livros: Fernando Pessoa.
Poesia brasileira do período colonial
Gregório de Matos, poeta baiano do século XVII, ficou conhecido como “Boca do Inferno” pelas sátiras contra autoridades e costumes da Bahia. A Seleção de Obras Poéticas e a Seleção de Obras Poéticas II misturam sátira, poesia amorosa e poesia religiosa.
No século XVIII, a poesia mineira está bem representada. Cláudio Manuel da Costa tem seis livros aqui, entre eles Vila Rica e Poemas. Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, é uma série de liras de amor dedicadas a Marília, e a primeira parte foi publicada em 1792.
Romantismo
Primeiros Cantos, de Gonçalves Dias, saiu em 1846 e traz a Canção do Exílio, o poema que abre com “Minha terra tem palmeiras”. I-Juca-Pirama, de 1851, é um poema narrativo sobre um guerreiro tupi. Os Timbiras é o poema épico inacabado do mesmo autor.
Lira dos Vinte Anos, de Álvares de Azevedo (publicado em 1853, depois da morte do poeta), é o livro mais característico do Romantismo brasileiro de tom sombrio. Casimiro de Abreu, que morreu aos 21 anos, está em As Primaveras, onde fica o poema “Meus oito anos”.
Castro Alves é o poeta das causas sociais. O Navio Negreiro, escrito em 1868, descreve um navio de tráfico de escravizados, e Os Escravos reúne outros poemas abolicionistas. Vozes d’África e Poesias Coligidas completam a obra.
Parnasianismo e Simbolismo
Olavo Bilac é o nome mais ligado ao Parnasianismo, a escola que valorizava a forma perfeita e o vocabulário preciso. Via-Láctea, de 1888, é o conjunto de sonetos mais lido. Na mesma linha estão Tarde, Alma Inquieta e Panóplias.
Cruz e Sousa, de Santa Catarina, está no outro lado: Broquéis, Missal, Faróis, Últimos Sonetos e O Livro Derradeiro. A linguagem é mais musical e mais difícil, e vale ler em voz alta.
Augusto dos Anjos
Eu, de 1912, é o livro único do paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914), e é lido junto com as Outras Poesias em Eu e Outras Poesias. O vocabulário científico e a obsessão com a decomposição do corpo fazem dele um caso à parte entre os poetas da época.
Poemas longos e clássicos estrangeiros
Quem prefere o poema longo encontra a Divina Comédia, de Dante, também dividida em Inferno, Purgatório e Paraíso, e o Fausto, de Goethe. O texto de um poema traduzido segue as regras de direitos da tradução, e a página de cada livro informa o que o arquivo contém.
Como ler poesia antiga
- Comece pelos poemas curtos. Um soneto tem 14 versos e costuma trazer o argumento nos dois últimos.
- Leia em voz alta. A métrica e a rima, que a leitura silenciosa esconde, aparecem na pronúncia.
- Para poemas longos como Os Lusíadas, leia um canto por vez e use a síntese da página do livro como apoio.
- Se o PDF tem a ortografia antiga, não corrija o texto na cabeça. Leia como está, e o sentido aparece.
Perguntas frequentes
Posso copiar e publicar poemas de domínio público?
Sim, o texto original de um autor que morreu há mais de 70 anos pode ser copiado e publicado. Traduções e edições anotadas têm direitos próprios.
Qual livro de poesia ler primeiro?
Para o português do Brasil, Primeiros Cantos (Gonçalves Dias) e Via-Láctea (Bilac) são os mais acessíveis. Para Portugal, os Sonetos de Camões e o Livro de Mágoas, de Florbela Espanca.
Esses livros têm poemas de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles ou Manuel Bandeira?
Não. Esses autores morreram depois de 1955, e as obras deles ainda estão protegidas no Brasil.
