Cancioneiro é o nome que se dá ao conjunto de poemas que Fernando Pessoa assinou com o próprio nome, em vez de assiná-los como Alberto Caeiro, Ricardo Reis ou Álvaro de Campos. Pessoa não publicou em vida um livro com esse título: dos cinco folhetos que lançou, o único em português com poemas é Mensagem, de 1934, e a maior parte do resto da obra só começou a ser editada em 1942, depois da sua morte, em novembro de 1935.
O que há nos poemas
São textos curtos, quase sempre rimados, que falam de sentir e pensar, de fingimento, de sono, de chuva, de infância e de uma tristeza sem causa clara. Autopsicografia, que abre com “O poeta é um fingidor”, está nas páginas 23 e 24 do arquivo. O poema “Isto” responde a quem acusa o poeta de mentir: “Dizem que finjo ou minto / Tudo que escrevo. Não. / Eu simplesmente sinto / Com a imaginação”. Também há poemas de tom leve, como Liberdade (“Ai que prazer / Não cumprir um dever”) e “Chove. É dia de Natal”, e outros de imagem dura, como “Tomamos a Vila depois de um Intenso Bombardeamento”.
A nota que abre o arquivo
Antes dos poemas há uma “Nota preliminar” de três parágrafos numerados. Ela diz que todo estado de alma é uma paisagem e que a arte que quer representar bem a realidade deve mostrar ao mesmo tempo a paisagem interior e a exterior. O arquivo não diz de onde vem a nota e a interrompe com “[…]”, mas ela ajuda a ler poemas como “Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva”, em que o tempo de fora e o ânimo de dentro se misturam.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 105 páginas, preparado pela Ciberfil Literatura Digital (versão em Adobe Reader de Rodolfo S. Cassaca, março de 2002). Depois da nota vem um índice de cerca de 90 poemas em ordem aproximadamente alfabética. O poema “Isto” aparece duas vezes, nas páginas 49 e 89, com o primeiro verso como título na primeira. O arquivo não informa de que edição vem o texto nem se o conjunto é completo. Para outras partes da obra do autor, veja Poemas de Fernando Pessoa e Mensagem, ou a página de poesia em domínio público.

