A literatura portuguesa ocupa um espaço grande no acervo: Camões, Gil Vicente, Padre António Vieira, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa e outros. São livros que também fazem parte do currículo brasileiro, e muitos podem ser lidos sem nota, mesmo com as diferenças de vocabulário entre os dois países.
Esta página organiza os principais por período, do século XVI ao XX, e diz o que esperar de cada um. Todos têm PDF para download, resumo e página própria. O texto original dos autores está em domínio público, porque todos morreram há mais de 70 anos.
Século XVI: teatro, poesia e prosa
Gil Vicente é considerado o fundador do teatro português. O acervo tem seis autos dele. O mais lido é o Auto da Barca do Inferno, de 1517, em que figuras de vários estados sociais chegam a duas barcas, uma que leva ao inferno e outra ao paraíso. Os outros são o Auto da Índia, o Auto da Feira, o Auto da Alma, o Auto de Mofina Mendes e a Farsa de Inês Pereira.
Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, saiu em 1572. É um poema épico em dez cantos, com a viagem de Vasco da Gama como fio condutor. O acervo também tem a lírica de Camões, em Sonetos, Redondilhas e Canções e Elegias. Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro, é um romance sentimental do mesmo século.
Século XVII: os sermões de Vieira
O padre António Vieira (1608-1697) viveu entre Portugal e o Brasil. O acervo tem quarenta sermões dele, como o Sermão da Sexagésima e o Sermão do Mandato. São textos longos, de argumentação cerrada, e hoje são lidos pela prosa mais do que pela teologia.
Século XIX: Romantismo e Realismo
Almeida Garrett e Alexandre Herculano abriram o Romantismo português. De Garrett o acervo tem Viagens na Minha Terra, de 1846, e Folhas Caídas, de poemas. De Herculano, Eurico, o Presbítero, de 1844.
Camilo Castelo Branco é o grande nome do romance passional. Amor de Perdição saiu em 1862 e é o mais lido. A Brasileira de Prazins, de 1882, e Os Brilhantes do Brasileiro mostram o outro lado do autor, o da sátira de costumes. Júlio Dinis, mais ameno, escreveu As Pupilas do Senhor Reitor.
Eça de Queirós
Eça de Queirós (1845-1900) é o romancista português mais procurado no site. Os mais lidos são O Crime do Padre Amaro (1875), O Primo Basílio (1878) e Os Maias (1888). Os outros livros são mais curtos: A Ilustre Casa de Ramires, A Cidade e as Serras, de 1901, e os Contos. Quem quiser a lista toda vai encontrá-la na página do autor: Eça de Queirós.
Século XX: poesia de Pessoa a Florbela
Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu sob vários nomes. O acervo tem 15 livros dele, entre eles Mensagem, o Cancioneiro e os poemas dos heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Também há o Livro do Desassossego, prosa fragmentária assinada por Bernardo Soares.
Florbela Espanca (1894-1930) está em Livro de Mágoas e A Mensageira das Violetas. Mário de Sá-Carneiro, amigo de Pessoa, tem Dispersão, e Camilo Pessanha, Clepsidra. Antero de Quental está na Antologia.
Para uma seleção de poetas por época, veja poesia em domínio público.
Diferenças do português de Portugal
Quem lê autores portugueses no Brasil encontra algumas diferenças. A ortografia dos livros do século XIX é anterior aos acordos ortográficos de 1911, 1945 e 1990. O uso de “tu” e “vós” é mais frequente, e há palavras diferentes para as mesmas coisas, como “rapariga” e “comboio”. O uso do pronome depois do verbo (“disse-me”) também aparece com mais frequência. Nenhuma dessas diferenças atrapalha a leitura, e o PDF mantém o texto como foi publicado.
Perguntas frequentes
Qual livro de literatura portuguesa ler primeiro?
O Auto da Barca do Inferno, porque é curto e engraçado. Depois, Amor de Perdição ou O Primo Basílio. Quem prefere poesia pode começar pelos Sonetos de Camões ou pelo Cancioneiro de Pessoa.
Os autores portugueses estão em domínio público no Brasil?
Sim, quando morreram há mais de 70 anos. Pessoa morreu em 1935 e Eça de Queirós em 1900, por exemplo.
