Auto da Índia é uma comédia de Gil Vicente, representada em 1509, que satiriza com graça impagável o avesso doméstico das grandes navegações portuguesas. Enquanto o marido parte para a Índia em busca de riquezas, a mulher, Constança, fica em casa, e não exatamente chorando: mal a nau se afasta, ela trata de preencher a ausência com pretendentes.
Com uma criada cúmplice e maliciosa, um castelhano fanfarrão e o escudeiro Lemos disputando seus favores, Constança conduz um jogo de enganos que Gil Vicente transforma em crítica alegre à hipocrisia dos costumes. A farsa desmonta, pelo riso, o discurso heroico da expansão marítima, mostrando o que ela custava à vida das famílias.
É um dos textos fundadores do teatro em língua portuguesa e conserva, cinco séculos depois, um frescor surpreendente. Leitura curta, divertida e essencial para entender por que Gil Vicente é considerado o pai do teatro português.

