Resumo da obra

Resumo de Auto da Índia

por Gil Vicente

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Resumo da obra

A farsa começa com Constança em pranto, e a criada logo descobre a verdade: ela chora de medo de que o marido acabe ficando, e não de saudade. Partida a nau para a Índia, a ama seca as lágrimas com apetite: que vá o marido buscar fortuna, que ela saberá ocupar a ausência. Surge primeiro o castelhano Juan de Zamora, galanteador de retórica inflamada, que promete morrer de amores a cada frase. Vem depois o escudeiro Lemos, pretendente mais prático, e Constança passa a administrar os dois com notável talento diplomático. A criada serve de mensageira e cúmplice, comentando tudo com a malícia popular que dá à peça seu sabor inconfundível. Gil Vicente arma cenas de puro enredo cômico: encontros por pouco desencontrados, promessas dobradas, juras recicladas de um galã para outro. Enquanto isso, a Índia aparece ao fundo como miragem de riqueza, e a farsa insinua que a epopeia dos mares se pagava com a desordem das casas. Passados os anos, chega a notícia do regresso: o marido volta, e Constança executa sem vacilar a última manobra. Recebe-o como esposa saudosa e exemplar, curiosa dos perigos da viagem, e o marido, enganado, ainda se comove com tamanha dedicação. O auto se encerra nessa hipocrisia triunfante, sem castigo nem moral explícita: o riso é o único juiz. Fica a impressão de um teatro espantosamente moderno, que preferiu revelar os costumes a corrigi-los, e que ainda faz rir quinhentos anos depois.

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