Dispersão é o livro de poemas que Mário de Sá-Carneiro publicou em 1914, reunindo doze composições escritas em Paris, e um dos marcos fundadores do modernismo português. Companheiro de Fernando Pessoa na aventura da revista Orpheu, Sá-Carneiro condensa aqui a sua mitologia pessoal: o eu que se busca e não se encontra.
O poema-título dá a chave do conjunto: perdido dentro de si, o poeta se descobre labirinto, e todo o livro desdobra essa experiência de estranhamento — a nostalgia de uma grandeza pressentida, o desdobramento do eu, a distância entre o que se é e o que se sonhou ser.
Musicais e vertiginosos, os versos unem herança simbolista e inquietação moderna, com imagens de ouro, febre e queda que se tornaram inconfundíveis. Para quem quer entender a poesia portuguesa do século XX — e a alma trágica de um dos seus maiores poetas —, este pequeno livro é leitura essencial.
