Eu é o único livro que Augusto dos Anjos publicou em vida. Saiu em 1912, pago com a ajuda do irmão Odilon, e reúne 56 poemas. O poeta nasceu em 1884 no Engenho Pau d’Arco, na Paraíba, e morreu em 1914, aos 30 anos, em Leopoldina, Minas Gerais.
O que há nos poemas
Augusto dos Anjos escreve sobre a morte, a doença e a decomposição do corpo com palavras tiradas da biologia, da química e da medicina. “Psicologia de um Vencido” começa com “Eu, filho do carbono e do amoníaco” e chama o verme de “este operário das ruínas”. O “Monólogo de uma Sombra”, que abre o livro, fala de uma sombra que vem “Do cosmopolitismo das moneras”. Há também poemas pessoais, como os três “Sonetos” sobre o pai, o primeiro com a dedicatória “A meu Pai doente” e o segundo “A meu Pai morto”, e vários ligados ao engenho da família: “Este Engenho Pau d’Arco é muito triste…”, diz um verso de “Tristezas de um Quarto Minguante”.
A maior parte dos poemas são sonetos. Os mais longos são o “Monólogo de uma Sombra”, “As Cismas do Destino”, em quatro partes, e “Os Doentes”, em nove.
O vocabulário raro é a marca do livro e também a maior dificuldade. Muita gente vai precisar de dicionário, e a volta constante do verme e da podridão pode cansar numa leitura seguida.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 103 páginas. Não tem capa nem folha de rosto: começa direto no “Monólogo de uma Sombra”. Traz os 56 poemas do livro de 1912, na ordem da primeira edição, e termina em “Mistérios de um Fósforo”. Muitos poemas trazem no fim o lugar e o ano, Pau d’Arco ou Paraíba, entre 1901 e 1911. No fim do arquivo há 17 notas de um editor que não se identifica, explicando grafias mantidas do texto-base, como “Raio X” e “ariete”. Os poemas que ficaram fora do livro de 1912 não estão aqui; o site tem também as páginas Eu e Outras Poesias e Outras Poesias. Augusto dos Anjos morreu em 1914, e a obra está em domínio público no Brasil.

