O Sermão da Sexagésima é um sermão do Padre António Vieira, pregado na Capela Real, em Lisboa, em 1655, perto do começo da Quaresma. Parte da parábola do semeador, no evangelho de São Lucas, e pergunta por que a pregação, tão abundante, converte tão pouca gente. A resposta ocupa dez partes numeradas e acaba sendo um tratado sobre como se deve pregar.
Do que trata o Sermão da Sexagésima
Vieira escolhe como tema a frase “Semen est verbum Dei” (a semente é a palavra de Deus) e usa as quatro sortes de terra da parábola, os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa, para falar dos ouvintes. Depois examina uma por uma as possíveis causas do fracasso: a pessoa do pregador, a ciência, a matéria, o estilo e a voz. No fim as descarta e aponta outra, que é pregar o sentido que o pregador quer, e não o que Deus disse nas Escrituras.
O que o texto tem de mais citado
O sermão traz imagens que costumam ser lembradas fora dele: o sermão como árvore, com um só tronco e muitos ramos; as palavras de um bom pregador como estrelas, “muito distintas e muito claras”; a crítica ao estilo “culto” dos pregadores da época, que Vieira chama de “negro, e negro boçal”. Há também uma passagem sobre os missionários do Maranhão, que o pregador compara ao trigo perdido da parábola.
Para um leitor de hoje, o português do século XVII e o hábito de citar latim a cada linha tornam a leitura mais lenta do que o tamanho do texto sugere. O sermão, por outro lado, é curto.
Sobre esta edição
O PDF tem 11 páginas e traz o sermão completo, nas partes I a X. Segundo a abertura do arquivo, o texto vem de Sermões Escolhidos, volume 2 (São Paulo: Edameris, 1965), da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP, com texto-base digitalizado pelo NUPILL, da Universidade Federal de Santa Catarina. A grafia é a portuguesa (“Génesis”, “António”). Outro sermão de 1655 do mesmo autor no site: Sermão do Bom Ladrão. Mais obras em literatura portuguesa em PDF.

