O Sermão do Bom Ladrão é um sermão do Padre António Vieira, pregado em Lisboa em 1655 na igreja da Misericórdia. O texto bíblico é a cena da crucificação, quando um dos dois ladrões pede a Cristo: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Vieira usa a frase para falar de outro assunto: os governantes, oficiais e capitães que roubam os povos, e os reis que os nomeiam e os mantêm nos cargos.
Do que trata o Sermão do Bom Ladrão
A tese vem no fim da abertura: os reis devem levar consigo os ladrões ao Paraíso, mas o que se vê é o contrário, os ladrões levam os reis ao inferno. Para Vieira, “ladrão” não é o miserável que furta para comer, e sim quem recebe um posto de governo, de exército ou de justiça e rouba com ele. Ele diz que isso acontece de quatro modos: os reis dão os ofícios, conservam os ladrões neles, promovem-nos a outros maiores e, no fim, não restituem o que foi roubado.
Contra a dissimulação, o sermão cita Santo Tomás, a parábola do administrador infiel e o caso de Acã. As colônias aparecem em passagens curtas: Vieira diz que as informações sobre um funcionário acusado demoram a chegar “à Índia ou ao Brasil” e cita quanto se tira da Índia, de Angola, do Brasil e do “pobre Maranhão”.
Como o sermão argumenta
O texto tem catorze partes numeradas e segue uma linha jurídica: sem restituição não há salvação, e a obrigação vale também para reis. Há muitas citações em latim, traduzidas em seguida, e dois trechos de humor ácido: a conjugação do verbo “rapio” (furtar) por todos os modos e tempos, e o pirata que responde a Alexandre Magno. As passagens de teologia são longas, mas as imagens são curtas e fáceis de guardar.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 17 páginas com o sermão completo, em português, as catorze partes e as 36 notas de rodapé no fim (a maioria traduz as citações bíblicas). A folha de rosto indica a série “Literatura Brasileira: textos literários em meio eletrônico” e o campo “Texto fonte” está em branco. Outros sermões do autor no site: Sermão da Sexagésima e Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda. Mais textos portugueses estão na página de literatura portuguesa em PDF.

