Resumo da obra

Resumo de Sermão do Bom Ladrão (1655)

por Padre António Vieira

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Resumo da obra

Vieira abre o sermão dizendo que o assunto pertence mais à Capela Real que à Misericórdia, porque o texto trata de um rei: o ladrão chama Cristo de “Senhor”, fala do seu reino e pede que se lembre dele. O que vai pregar é que os reis devem levar consigo os ladrões ao Paraíso, e que na prática são os ladrões que levam os reis ao inferno.

Ele parte de três premissas. A primeira é que sem restituir o alheio não há salvação. Dimas se salvou de imediato porque era pobre e não tinha com que restituir; Zaqueu, que era rico, só recebeu a promessa depois de devolver o que tomara. A segunda é que a obrigação vale para reis e príncipes, e Santo Tomás diz que quem toma o que não lhe é devido peca mais que um ladrão comum. Vieira cita a resposta do pirata a Alexandre Magno: se roubo numa barca sou ladrão, e vós, que roubais numa armada, sois imperador? A terceira é que os ladrões de que fala não são os que furtam por fome, e sim os que recebem exércitos, províncias e cidades e as despojam. Os “ladrões grandes” enforcam os pequenos, como Diógenes denunciou.

Esses ladrões levam os reis ao inferno de quatro modos: recebem os cargos do rei, nele permanecem, são promovidos e nunca restituem. Vieira rejeita as desculpas. Quem entra no cargo por parentesco, amizade ou suborno não entrou pela porta e já é ladrão. A pobreza de um fidalgo não justifica dar-lhe um governo. Na Índia, diz São Francisco Xavier, o verbo “rapio” se conjuga por todos os modos, e Vieira faz a lista dos modos e dos tempos. O administrador da parábola é demitido para sempre, Acã, de sangue real, é queimado por um furto pequeno e Adão é expulso do Paraíso para não furtar de novo. Na parábola dos talentos, o criado que devolveu o dinheiro sem acrescentar nada perdeu o cargo; os ladrões, em vez disso, são promovidos.

Na segunda metade ele mostra como os reis podem levar os ladrões ao Paraíso: mandar que restituam. Dá o exemplo do frei Teodorico e do imperador Maximino, que espremia seus governadores como esponjas, mas ficava com o que tirava, em vez de devolver às províncias. Prender o ladrão por alguns dias não basta, porque a pena e a restituição são coisas distintas.

Na conclusão, Vieira justifica ter falado com franqueza e afirma que ninguém se pode queixar do que pregou: os roubados recuperam seus bens, os reis salvam a alma e os ladrões, que devem entrar nus como entraram, trocam o inferno pelo Paraíso. Termina com uma oração para que os reis levem consigo os ladrões ao Paraíso.

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