O Pequeno Príncipe saiu em abril de 1943, nos Estados Unidos, em francês e em inglês, pela editora Reynal & Hitchcock. Antoine de Saint-Exupéry escreveu e ilustrou o livro em 1942, exilado em Nova York durante a Segunda Guerra. Um ano depois de o livro sair, em julho de 1944, o avião dele desapareceu sobre o Mediterrâneo numa missão de reconhecimento.
Do que trata O Pequeno Príncipe
O narrador é um aviador que, depois de uma pane, fica sozinho no deserto do Saara com água para oito dias. Na primeira manhã, um menino aparece do nada e pede: “Por favor… desenha um carneiro para mim!”. É o pequeno príncipe, que veio de um planeta pouco maior do que uma casa, o asteroide B 612.
Aos poucos, enquanto tenta consertar o motor, o aviador fica sabendo da vida do menino. Ele cuidava de três vulcões, arrancava todas as manhãs os brotos de baobá que ameaçavam rachar o planeta e vivia com uma rosa vaidosa, que ele amava sem saber lidar com ela. Cansado das exigências da flor, partiu.
No caminho até a Terra, visitou seis asteroides, cada um com um único morador: um rei que só dá ordens razoáveis, um vaidoso, um bêbado, um homem de negócios que conta estrelas como se fossem dele, um acendedor de lampiões e um geógrafo que nunca saiu do escritório. Na Terra, encontra uma serpente, um jardim com cinco mil rosas iguais à sua e uma raposa, que lhe ensina o que quer dizer “cativar”. É dela a frase mais citada do livro: “O essencial é invisível para os olhos”.
No oitavo dia, sem água, os dois saem a pé e encontram um poço. O final é triste e fica em aberto, e o livro termina com um pedido do narrador aos leitores.
Um livro para crianças lido por adultos
A dedicatória já avisa o jogo. Saint-Exupéry pede desculpas às crianças por dedicar o livro a uma “pessoa grande”, o amigo Léon Werth, que estava na França ocupada, passando “fome e frio”. Ao longo da história, as pessoas grandes são as que só entendem números e não enxergam a jiboia dentro do desenho que parece um chapéu.
As ilustrações não são enfeite. O narrador fala delas o tempo todo: o desenho número 1, os carneiros recusados, a caixa com furos, os baobás que ele diz ter desenhado “movido pelo sentimento de urgência”. Por isso uma edição sem os desenhos perde parte do texto.
Na minha opinião, o livro funciona melhor lido devagar e em voz alta. O tom de fábula às vezes pesa, e algumas lições soam explicadas demais para um leitor adulto. A conversa com a raposa e os capítulos finais no deserto, que dispensam a moral, são a parte mais forte.
Sobre esta edição
Esta é uma tradução nova, feita por Livros Domínio Público a partir do texto francês, com os 47 desenhos do autor nos lugares em que o narrador fala deles. São a dedicatória e os 27 capítulos do livro, em PDF e em EPUB. Saint-Exupéry morreu em 1944, e no Brasil o texto original e as ilustrações estão em domínio público desde 2015. As traduções publicadas por editoras continuam protegidas; esta é nossa e pode ser baixada, impressa e compartilhada gratuitamente.

