Carta a um Refém é um texto curto que Antoine de Saint-Exupéry publicou em junho de 1943, nos Estados Unidos, pela editora Brentano’s. Saiu no mesmo ano que O Pequeno Príncipe, quando o autor vivia exilado em Nova York.
Do que trata Carta a um Refém
O texto começa em dezembro de 1940, em Lisboa, onde o autor espera o navio para a América. A cidade iluminada e a exposição que Portugal montou enquanto a guerra cerca o país lhe parecem um “paraíso claro e triste”. No cassino do Estoril, ele observa refugiados ricos jogando roleta como se nada tivesse mudado, e no navio percebe que eles já não pertencem a lugar nenhum.
Daí ele chega ao centro do livro: um amigo que ficou na França. O amigo tem cinquenta anos, está doente e é judeu, e o autor não sabe se ele sobrevive à ocupação alemã. Para descrever o que os une, conta um almoço antes da guerra à beira do rio Saône, perto de Tournus, em que os dois convidaram dois barqueiros para um Pernod. Depois conta outro episódio, na guerra civil espanhola: preso por milicianos anarquistas numa estação de trem, ele pede um cigarro, um dos guardas sorri, e o perigo se desfaz.
Os dois últimos capítulos tiram a conclusão. Contra o nazismo, que só respeita quem se parece com ele, Saint-Exupéry defende o “respeito ao homem” e uma amizade que não pede ao outro que pense igual. O livro termina dirigido aos franceses que ficaram no país, os “quarenta milhões de reféns” do título.
O amigo sem nome
O amigo é Léon Werth, escritor e crítico, o mesmo a quem O Pequeno Príncipe é dedicado. O texto nasceu como prefácio para um livro de Werth sobre a fuga de Paris em 1940, que não saiu na época. Saint-Exupéry reescreveu o prefácio e tirou o nome do amigo, para que ele representasse todos os que estavam presos na França ocupada.
Quem leu O Pequeno Príncipe vai reconhecer ideias e até frases. Aqui também “o essencial” não tem peso, o deserto ensina a ver o que não se vê, e um sorriso vale mais do que um discurso. Na minha opinião, é a melhor porta de entrada para os livros de Saint-Exupéry que não são para crianças. Os trechos sobre política envelheceram mais do que as cenas de Lisboa, de Tournus e do porão na Espanha.
Sobre esta edição
É uma tradução nova, feita por Livros Domínio Público a partir do texto francês, com os seis capítulos do livro. São 28 páginas em PDF, também disponíveis em EPUB. Saint-Exupéry morreu em 1944; no Brasil, a obra está em domínio público desde 2015.

