Redondilhas reúne a face mais ágil e engenhosa da lírica de Luís Vaz de Camões: os poemas em medida velha, compostos em versos curtos na tradição dos cancioneiros ibéricos. Longe da solenidade dos sonetos e da épica de Os Lusíadas, aqui o poeta joga com motes e voltas, trocadilhos e conceitos, mostrando que a graça também é uma forma de genialidade.
O conjunto vai do galanteio malicioso à mais funda meditação: entre cantigas de amor e desconcertos do mundo ergue-se a monumental Sôbolos rios que vão por Babilônia, em que o poeta exilado transforma um salmo bíblico numa das maiores elegias da língua. A leveza formal abriga, a cada passo, surpreendente profundidade.
Para o leitor moderno, as redondilhas são talvez a porta mais sedutora de entrada no universo camoniano: curtas, musicais, espirituosas. Nelas se ouve um Camões íntimo e brincalhão, mas capaz de, num lance, tocar o centro da condição humana.

