Memórias Póstumas de Brás Cubas é um romance de Machado de Assis. Saiu primeiro em folhetim na Revista Brasileira, de março a dezembro de 1880, e em livro em 1881. Costuma ser apontado como o livro que deu início ao Realismo no Brasil. Quem conta a história é o próprio Brás Cubas, já morto, que avisa no primeiro capítulo: “eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor”.
Do que trata Memórias Póstumas de Brás Cubas
O livro começa pelo fim. Brás morre numa sexta-feira de agosto de 1869, na chácara de Catumbi, aos 64 anos, solteiro, de uma pneumonia que apanhou enquanto preparava um “emplasto anti-hipocondríaco” com o seu nome. Depois volta ao nascimento, em 1805, e conta a vida em ordem: o menino que chamavam de “menino diabo”, a paixão pela espanhola Marcela (“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”), o diploma em Coimbra, o namoro abandonado com Eugênia, que era coxa, e o caso de muitos anos com Virgília, mulher do político Lobo Neves.
Não há grandes acontecimentos. Brás herda dinheiro, nunca precisa trabalhar, chega a deputado, perde a cadeira, funda um jornal que dura pouco. O que prende é o jeito de contar.
Um narrador que conversa com o leitor
São 160 capítulos, muitos de meia página. Brás interrompe a história para falar com o leitor, comentar o próprio livro e filosofar. Alguns capítulos são quase só pontuação: em “O velho diálogo de Adão e Eva”, a conversa entre Brás e Virgília aparece como nomes seguidos de reticências e exclamações, e “De como não fui ministro d’Estado” é uma fileira de pontos. Na nota “Ao leitor”, ele diz ter adotado “a forma livre de um Sterne, ou de um Xavier de Maistre” e ter escrito “com a pena da galhofa e a tinta da melancolia”.
Quem procura enredo pode se cansar das digressões, e parte das piadas depende de referências (Stendhal, Hamlet, Pangloss) que hoje pedem nota de rodapé.
É neste livro que aparece pela primeira vez Quincas Borba, colega de colégio de Brás que ressurge como mendigo, lhe furta o relógio e depois inventa uma filosofia, o Humanitismo. Machado voltou ao personagem em Quincas Borba. Com Dom Casmurro, os dois romances formam o que se costuma chamar de trilogia realista do autor.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 99 páginas; a primeira página traz os nomes do Ministério da Cultura, da Fundação Biblioteca Nacional e do Departamento Nacional do Livro. Tem a dedicatória (“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”), a nota “Ao leitor” e os 160 capítulos: é o romance completo. Alguns títulos de capítulo têm pequenos erros de digitação. Machado de Assis morreu em 1908, e a obra está em domínio público no Brasil.

