Quincas Borba é um romance de Machado de Assis, publicado primeiro em folhetim na revista A Estação, entre 1886 e 1891, e depois em livro pela Livraria Garnier. Apesar do título, o protagonista é Rubião, um ex-professor de Barbacena, em Minas Gerais. Quincas Borba é o filósofo que lhe deixa a fortuna, o mesmo que aparece em Memórias Póstumas de Brás Cubas, e é também o nome do cachorro que vem com a herança.
Do que trata Quincas Borba
O livro abre com Rubião à janela de uma casa em Botafogo, comparando o presente com o passado: um ano antes era professor, agora é capitalista. Depois conta como chegou ali. Em Barbacena, ele cuidou de Quincas Borba doente por quase seis meses. O filósofo morreu no Rio e deixou tudo a Rubião, com uma condição: tratar o cachorro como se fosse o próprio dono.
Na viagem para a Corte, na estação de Vassouras, Rubião conhece Cristiano Palha e a mulher dele, Sofia. O casal passa a ser o centro da sua vida. Rubião se apaixona por Sofia, que conta a declaração ao marido; Palha não rompe com o amigo porque, como diz a ela, “eu devo-lhe muito dinheiro”. Em volta de Rubião junta-se uma roda de gente que almoça e janta à custa dele. Ele financia um jornal político, entra de sócio numa casa de importação de Palha e vai perdendo o que herdou. Palha enriquece e desfaz a sociedade. Rubião enlouquece aos poucos e passa a se tomar por Napoleão III.
O Humanitismo e as batatas
A filosofia de Quincas Borba cabe numa parábola: duas tribos famintas e um campo de batatas que só alimenta uma delas. Se dividirem, as duas morrem de fome; se uma exterminar a outra, sobrevive. Daí a fórmula “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”. Rubião a repete depois da herança, certo de estar entre os vencedores. O romance mostra o contrário: quem fica com as batatas são Palha e Sofia.
O narrador conversa com o leitor, como em Memórias Póstumas, mas aqui a história é contada em terceira pessoa e segue uma linha mais clara, da riqueza à ruína. Em compensação, o meio do livro se alonga com personagens secundários (o jornalista Camacho, o major Siqueira, Dona Tonica) e pode parecer lento. Com Dom Casmurro, os dois romances formam o que se costuma chamar de trilogia realista de Machado.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 139 páginas com os 201 capítulos do romance, numerados em algarismos romanos, do primeiro, com Rubião à janela, ao último, sobre a morte do cachorro. É o texto completo, sem prefácio nem nota editorial. Machado de Assis morreu em 1908, e a obra está em domínio público no Brasil.

