Rubião, um professor primário do interior de Minas Gerais, vê sua vida mudar drasticamente ao herdar uma considerável fortuna de seu amigo, o excêntrico filósofo Quincas Borba. Juntamente com o dinheiro, ele recebe o legado do pensamento filosófico do amigo, o Humanitismo, e o cachorro que leva o mesmo nome do falecido mestre. Impulsionado pela nova condição e pelo desejo de ascensão social, Rubião decide mudar-se para a efervescente corte do Rio de Janeiro. Lá, um homem simples e ingênuo, ele aspira a integrar a alta sociedade, cujas aparências e complexidades ele mal compreende. Na capital, Rubião se insere em um novo círculo social e conhece o influente casal Sofia e Cristiano Palha. Sofia, uma mulher de notável beleza e inteligência pragmática, e Cristiano, um empresário ambicioso e astuto, logo se tornam figuras centrais em sua vida. Rubião, fascinado, apaixona-se perdidamente por Sofia. Ela, ciente da devoção do milionário recém-chegado, manipula seus sentimentos de forma sutil, utilizando-o para benefício próprio e de seu marido, sem, contudo, corresponder genuinamente à sua paixão. Cristiano Palha, por sua vez, não hesita em explorar a ingenuidade e a fortuna de Rubião. Com um sorriso cordial e promessas de grandes negócios, ele habilmente desvia os recursos do amigo para seus próprios empreendimentos e ambições financeiras. A filosofia do Humanitismo, que Rubião inicialmente não compreendia bem, começa a permear sua mente de maneira distorcida. Com suas premissas sobre a luta pela existência e a indiferença moral, ela serve de justificação para as ações alheias e para a sua própria visão de mundo, já em desequilíbrio. À medida que o tempo avança, a fortuna de Rubião é rapidamente dilapidada. Ele gasta de forma imprudente e se torna vítima da cobiça de amigos interesseiros e da sua própria falta de discernimento, acelerando sua ruína financeira. A loucura de Rubião se acentua progressivamente. Ele perde contato com a realidade, mergulhando em delírios que culminam na crença de ser o Imperador Napoleão III, vivendo em um universo de fantasias grandiosas e, por vezes, persecutórias. Abandonado por quase todos aqueles que o cercavam e que se aproveitaram de sua fortuna, Rubião é levado de volta à sua cidade natal, Barbacena, já completamente despojado de sua riqueza e de sua sanidade mental. Seu fim é melancólico e solitário. Morre em meio à sua loucura, tendo como única companhia o fiel cão Quincas Borba, um desfecho trágico que contrasta cruelmente com as promessas de uma vida próspera que a herança inicial parecia assegurar.