Quincas Borba, o filósofo das Memórias Póstumas de Brás Cubas, mora em Barbacena e está doente. Ali se apaixonou por Maria da Piedade, irmã de Rubião, que o recusou e morreu de pleuris. Rubião, que tinha uma escola de meninos, fecha a escola e passa quase seis meses cuidando dele. Nesse tempo ouve do filósofo a doutrina do Humanitismo, resumida na parábola das tribos que disputam um campo de batatas. Antes de partir para o Rio de Janeiro, Quincas Borba faz testamento e deixa o cachorro, que também se chama Quincas Borba, com Rubião. Morre na Corte, na casa de Brás Cubas. Aberto o testamento, Rubião é o herdeiro universal: casas, escravos, apólices, ações e dinheiro. A única condição é cuidar do cão como se fosse o próprio testador.
Rubião decide morar na Corte. No trem, na estação de Vassouras, entram Cristiano Palha, de trinta e dois anos, e a mulher, Sofia, de vinte e sete ou vinte e oito. Ficam amigos durante a viagem, e Rubião conta a história da herança. No Rio, ele se instala numa das casas herdadas, em Botafogo. Palha o aconselha em tudo, dos criados aos negócios, e Rubião se apaixona por Sofia. Numa noite na casa do casal, em Santa Teresa, leva Sofia ao jardim, segura as mãos dela com força e pede que todas as noites, às dez horas, ela olhe o Cruzeiro do Sul, como ele fará. Sofia conta tudo ao marido. Palha fala em fechar a porta ao amigo, mas acaba confessando à mulher que lhe deve muito dinheiro, e Sofia resolve ver como ele se comporta.
Rubião gasta sem conta. Sustenta amigos que vivem à sua mesa, financia o jornal político do doutor Camacho e entra de sócio na casa de importação de Palha, que planeja casá-lo com Maria Benedita, prima de Sofia. Rubião desconfia de um caso entre Sofia e Carlos Maria, um rapaz bonito que “olha de cima”. Quem casa com Carlos Maria, porém, é Maria Benedita, com a ajuda de Dona Fernanda, prima dele, que conheceu a moça numa comissão de socorro às vítimas de uma epidemia em Alagoas. Palha, cada vez mais rico, desfaz a sociedade com uma desculpa e sonha com um palacete e um título de barão.
A loucura de Rubião vai crescendo. Ele manda aparar a barba como a de Napoleão III, fala de si como imperador e trata Sofia como imperatriz. Palha aluga uma casinha na Rua do Príncipe e o põe lá com o cachorro. Dona Fernanda se compadece dele, pede ao médico Falcão que o examine e obtém de Sofia a promessa de que ele será tratado. Rubião é internado numa casa de saúde, e Palha liquida o que restava dos bens dele: três contos e duzentos.
Meses depois, parecendo curado, ele chama Palha, pede cem mil-réis e foge com o cachorro para Barbacena. Chega gritando “Ao vencedor, as batatas!”. Os dois vagam uma noite inteira debaixo de tempestade, sem pouso nem comida. De manhã, a comadre Angélica os recolhe. Rubião tem febre e delira; recebe os curiosos como imperador e diz ter capturado o rei da Prússia. Morre poucos dias depois, pondo na cabeça uma coroa que só ele vê. O cachorro foge em busca do dono e amanhece morto na rua três dias mais tarde.
