Lição de Botânica é uma comédia de Machado de Assis, a última peça escrita pelo autor, publicada em 1906 no volume Relíquias de Casa Velha. Em um ato elegante e espirituoso, o velho mestre arma um duelo delicioso entre a ciência e o amor, travado nos salões cariocas com armas de fina ironia.
O Barão Sigismundo de Kernoberg, botânico sueco, quer afastar o sobrinho Henrique do namoro com Cecília: a ciência, sustenta ele, exige devoção exclusiva e celibato. Quem aceita o combate é Helena, a outra sobrinha da casa, que pede ao barão lições de botânica e transforma cada aula num cerco encantador às certezas do sábio.
A peça condensa o Machado maduro: diálogos perfeitos, ironia sem crueldade e a convicção de que a vida sempre dá rasteiras na teoria. Para conhecer o dramaturgo que existia dentro do maior romancista brasileiro, não há porta de entrada melhor.

