O Enfermeiro é um conto de Machado de Assis construído como uma confissão: um homem já velho decide contar, para ser lida depois de sua morte, a história do tempo em que serviu de enfermeiro a um doente insuportável. O que começa como caso de paciência vira, numa noite, caso de consciência.
Procópio aceita cuidar de um coronel doente, colérico e tirânico, que o insulta e o humilha diariamente. Da convivência exasperante ao desenlace violento, e deste à surpresa do testamento, Machado arma uma das suas mais perfeitas anatomias do remorso, mostrando como a consciência humana negocia consigo mesma até se absolver.
Em poucas páginas, o conto percorre culpa, medo, conveniência e autoengano, tudo no tom sereno de quem apenas relata. É Machado de Assis no seu terreno favorito, o subsolo moral do homem comum, e uma amostra brilhante da ironia com que ele desmonta as histórias que contamos a nós mesmos.

