Entre Santos é um conto de Machado de Assis em que a fantasia serve de disfarce para uma das sátiras mais finas do autor à religiosidade interesseira. Um velho capelão narra o prodígio a que teria assistido certa noite: as imagens dos santos de sua igreja descem dos altares e conversam entre si sobre os homens e suas devoções.
A conversa celestial logo se revela um tribunal irônico. Os santos trocam observações sobre as preces que escutam todos os dias, e o caso central, contado por um deles, expõe um devoto capaz de negociar com o céu como quem regateia no mercado, calculando o preço de cada promessa.
Em poucas páginas, Machado arma uma alegoria perfeita sobre a avareza e a fé de conveniência, sem nunca perder a leveza nem o humor. É uma amostra concentrada do que seu gênio fazia com o conto: um prodígio aparente, uma verdade humana embaixo, e a ironia costurando tudo.

