Senhora é um romance de José de Alencar, lançado em 1875, dois anos antes da morte do autor. É um dos três livros a que Alencar deu o subtítulo “Perfil de Mulher”, ao lado de Lucíola e Diva; na nota “Ao Leitor”, ele fala do livro “como os dois que o precederam”. A história se passa na Corte, o Rio de Janeiro, e gira em torno de um casamento comprado.
Do que trata Senhora
Aurélia Camargo tem dezoito anos, é órfã, bonita e dona de uma grande fortuna. Nos bailes, trata os pretendentes com desprezo e costuma dizer quanto cada um vale como noivo, em contos de réis. Por meio do tio e tutor, o Sr. Lemos, oferece a Fernando Seixas um dote de cem contos para casar com uma moça cujo nome não é dito. Seixas é funcionário público, gasta mais do que ganha e está cheio de dívidas. Aceita e recebe vinte contos adiantados, contra recibo.
Só quando Lemos o apresenta à noiva ele reconhece Aurélia. Tempos antes, quando ela era pobre, Seixas a namorou e pediu sua mão, e depois a deixou para se comprometer com Adelaide Amaral, que tinha um dote de trinta contos. Na noite do casamento, Aurélia mostra o recibo e diz: “O senhor estava no mercado; comprei-o.” Durante onze meses os dois parecem um casal feliz diante dos outros e se recolhem cada um ao seu quarto em casa.
Quatro partes com nomes de negócio
O romance se divide em “O Preço”, “Quitação”, “Posse” e “Resgate”. São palavras de contrato, e o dinheiro aparece o tempo todo com valores exatos: trinta contos, cem contos, juros de 6%. A segunda parte volta no tempo e conta de onde veio a fortuna. O pai de Aurélia era filho natural de um fazendeiro rico, Lourenço de Sousa Camargo, e casou em segredo. O avô só conheceu a neta depois da morte do filho e, ao morrer, deixou-lhe tudo em testamento.
O próprio Alencar admite, na nota de abertura, que o livro tem “exuberâncias de linguagem”. As descrições de salões, vestidos e sentimentos são longas, e o final, que resolve onze meses de hostilidade numa única cena de reconciliação, pode parecer apressado a quem esperava mais conflito.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 124 páginas; a primeira página traz os nomes do Ministério da Cultura, da Fundação Biblioteca Nacional e do Departamento Nacional do Livro. Tem a nota “Ao Leitor”, assinada “J. de AL.”, e as quatro partes, com 41 capítulos ao todo: é o romance completo. José de Alencar morreu em 1877, e a obra está em domínio público no Brasil.

