Aurélia Camargo aparece na sociedade do Rio de Janeiro aos dezoito anos, órfã, rica e muito bonita, e logo é a moça mais disputada dos salões. Mora com uma parenta viúva, D. Firmina Mascarenhas, que serve apenas para manter as aparências. O tutor é o tio, o Sr. Lemos, mas quem decide tudo é ela. Aurélia sabe que os pretendentes querem o seu dinheiro e zomba deles, dizendo quanto cada um vale como noivo.
Um dia ela chama Lemos e lhe dá uma tarefa: desmanchar o compromisso de Fernando Seixas com Adelaide Amaral e oferecer a Seixas cem contos de réis de dote para casar com uma moça que ele só conhecerá depois. Seixas, funcionário público que vive acima dos meios, recusa a primeira oferta. Mas o pai de Adelaide desfaz o noivado, as dívidas apertam e ele já gastou as economias da irmã, que a mãe agora pede para o enxoval. Aceita, pede vinte contos adiantados e assina um recibo em que se obriga a casar em três meses. Quando Lemos o apresenta à noiva, reconhece Aurélia.
A segunda parte volta ao passado. Aurélia é filha de D. Emília e de Pedro Camargo, filho natural do fazendeiro Lourenço de Sousa Camargo, que casou em segredo e morreu sem contar ao pai. Mãe e filha viviam pobres. Seixas começou a frequentar a casa, apaixonou-se e pediu a mão de Aurélia. Depois se afastou aos poucos e se comprometeu com Adelaide, cujo pai oferecia trinta contos de dote. Aurélia soube por uma carta anônima. O avô apareceu mais tarde: tinha achado na mala do filho a certidão de casamento e uma carta pedindo proteção para a mulher e os filhos. Abraçou a neta, achou-a o retrato de Pedro e, ao morrer, deixou-lhe tudo em testamento. D. Emília morreu dias depois.
Na noite do casamento, no quarto, Aurélia mostra a Seixas o recibo e diz que ele é “um homem vendido”: “O senhor estava no mercado; comprei-o. Custou-me cem contos de réis”. Seixas decide cumprir o contrato à risca. Durante onze meses vivem assim: diante dos outros, um casal elegante; em casa, cada um no seu aposento. Ela o fere com sarcasmo; ele responde que, como marido, não tem hábitos, “e somente deveres”. Seixas, que antes mal aparecia na repartição, passa a entrar às nove da manhã e sair às três, e junta o que pode.
Na quarta parte ele consegue o dinheiro. Tinha cerca de seis contos de ordenados e da venda de joias e objetos, e recebe mais de quinze contos pela venda de um privilégio de minas de cobre de que era sócio desde antes do casamento. Procura Aurélia, devolve intacto o cheque de oitenta contos e paga os vinte contos adiantados com juros de 6%. Declara-se livre e se despede.
Aurélia então confessa que sempre o amou e se ajoelha no mesmo lugar onde o humilhara. Seixas hesita: “Tua riqueza separou-nos para sempre”. Ela lhe entrega um papel lacrado, o testamento que escreveu logo depois do casamento, em que o faz seu herdeiro universal, e os dois se reconciliam.
