Encarnação é um romance de José de Alencar, publicado postumamente, que leva ao limite um tema ousado para a ficção do século XIX: a disputa entre uma viva e uma morta pelo coração do mesmo homem. É a última palavra do romancista, e uma das suas mais estranhas e fascinantes.
Hermano, viúvo ainda jovem, transforma a memória da primeira esposa num culto absoluto, vivendo cercado das lembranças que a mantêm presente. Quando Amália, sua vizinha, se apaixona por ele e o conquista para um novo casamento, descobre que terá de dividir o marido com um fantasma, e que o amor dos vivos precisa lutar palmo a palmo contra a devoção aos mortos.
Misto de drama psicológico e romance de amor, Encarnação mostra um Alencar em tom crepuscular, debruçado sobre a obsessão, o luto e o ciúme do impossível. Para quem conhece o autor de Iracema e Senhora, é a chance de encontrá-lo em registro inesperado, mais intimista e mais sombrio.

