Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. O PDF desta página não está em português: é a tradução espanhola de Leandro Fernández de Moratín, publicada em Madri em 1798 com o nome que ele usava na Arcádia de Roma, Inarco Celenio. A história se passa no palácio de Elsingor, na Dinamarca, e termina num duelo que deixa quatro mortos.
Do que trata Hamlet
O rei Hamlet morreu e, em menos de dois meses, a viúva, Gertrudis, casou com o irmão dele, Claudio, que ficou com a coroa. O filho, o príncipe Hamlet, continua de luto e não aceita a pressa. Os soldados veem na muralha uma figura com a armadura do rei morto, e Hamlet vai ao seu encontro. O fantasma conta que não morreu picado por uma serpente, como se espalhou: Claudio derramou veneno em seu ouvido enquanto ele dormia no jardim.
Hamlet jura vingança e avisa aos amigos que talvez passe a agir de modo extravagante. Polonio, o conselheiro do rei, acha que é amor por sua filha, Ofelia; o rei chama dois antigos colegas do príncipe para vigiá-lo. Hamlet também desconfia: o fantasma pode ser um espírito do inferno. Para tirar a dúvida, faz uma companhia de atores representar diante do rei um crime parecido com o que ouviu. A partir daí as mortes se sucedem.
O monólogo e outras falas
A fala mais famosa da peça começa, nesta tradução, com “Existir o no existir, ésta es la cuestión”. Está no ato III, cena IV desta edição. Hamlet pesa se é mais digno suportar os golpes da fortuna ou acabar com eles, compara a morte ao sono e conclui que é o medo do que vem depois, “aquel país desconocido”, que faz os homens aguentarem a vida e desistirem de agir.
Também estão lá, em espanhol, o “Palabras, palabras, todo palabras” dito a Polonio, o crânio de Yorick e as últimas palavras do príncipe, que terminam em “silencio eterno”.
O prólogo de Moratín
Moratín abre o livro com um prólogo e uma “Vida de Guillermo Shakespeare”. No prólogo, diz que Hamlet é uma das melhores tragédias do autor, mas que as “bellezas admirables” e os “defectos que manchan y obscurecen sus perfecciones” formam “un todo extraordinario y monstruoso”. Reclama das cenas em que a tragédia cede a diálogos grosseiros, bons só para fazer rir “un populacho vinoso y soez”, e de um desfecho que amontoa circunstâncias inverossímeis.
Na biografia, a crítica vai além: Shakespeare “no supo componer una buena fábula dramática”, mudava o lugar da cena sem necessidade, quase nunca respeitava a unidade de tempo e enchia o teatro de espectros e fantasmas. A queixa soa curiosa numa peça que começa justamente com um fantasma. Moratín reconhece o talento, mas nega a Shakespeare o título de mestre. Para muitos leitores de hoje, essas páginas valem como retrato de como um escritor espanhol de 1798 lia Shakespeare.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 162 páginas, todo em espanhol. Traz uma epígrafe de Marcial, o prólogo, a vida de Shakespeare, a lista de personagens e os cinco atos. A tradução é em prosa, com alguns trechos em verso, como a peça representada diante do rei e as canções de Ofelia. O arquivo não traz o nome do tradutor, mas o prólogo e o texto são os da edição de Madri de 1798.
Os nomes foram adaptados ao espanhol: Claudio, Gertrudis, Polonio, Ofelia, Horacio, Fortimbrás. Rosencrantz e Guildenstern viraram Ricardo e Guillermo, e Orisco virou Enrique. O texto traz, entre parênteses, 246 chamadas de nota, mas as notas críticas de Moratín, que fecham a edição de 1798, não estão no arquivo. Há também falas atribuídas ao personagem errado, como uma despedida de Hamlet que aparece em nome de Claudio.
Shakespeare morreu em 1616 e Moratín em 1828: a peça e a tradução estão em domínio público. Outras tragédias de Shakespeare no site: Macbeth, Otelo, Rei Lear e Romeu e Julieta.

