Missa do Galo é um conto de Machado de Assis. Saiu primeiro na revista A Semana, em 12 de maio de 1894, e entrou em 1899 no livro Páginas Recolhidas. Quem narra é Nogueira, um homem adulto que lembra uma conversa que teve aos dezessete anos, numa noite de Natal, com a dona da casa onde estava hospedado.
Do que trata Missa do Galo
Nogueira veio de Mangaratiba estudar no Rio de Janeiro e mora na casa do escrivão Meneses, que tinha sido casado com uma prima dele. Vivem ali também Conceição, a segunda mulher de Meneses, e a mãe dela. Uma vez por semana Meneses diz que vai ao teatro e só volta na manhã seguinte. É um pretexto: ele tem uma amante. Conceição, a quem chamam “a santa”, sofreu no começo e depois se acostumou.
Na noite de Natal de 1861 ou 1862, Meneses sai outra vez. Nogueira combinou ir à missa do galo com um vizinho e fica na sala, lendo Os Três Mosqueteiros, à espera da meia-noite. Pouco depois das onze, Conceição aparece de roupão branco e senta para conversar. Falam de romances (ela pergunta se ele já leu A Moreninha), de sono leve, de sonhos, dos quadros da parede. Ela muda de lugar várias vezes, chega perto, pede que ele fale baixo para não acordar a mãe. Em certo momento põe a mão no ombro dele, parece que vai dizer alguma coisa, estremece e se afasta.
A conversa vai morrendo. O vizinho bate na janela chamando para a missa e Conceição manda Nogueira ir. Ele viaja no Ano-Bom; quando volta, em março, Meneses morreu de apoplexia. Mais tarde ouve dizer que Conceição casou com o escrevente juramentado do marido.
O que o conto deixa em aberto
Nada acontece além da conversa. Nogueira abre o relato dizendo “Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora”, e chega ao fim sem ter entendido. Descreve o que viu (os olhos de Conceição fixos nele, os braços que aparecem quando as mangas caem) e não diz o que aquilo significava. Também avisa que a lembrança falha: “Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas”.
Quem espera enredo provavelmente vai achar pouco: não há revelação, só a notícia seca do segundo casamento de Conceição.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 7 páginas com o texto do conto. Segundo a nota de abertura, o texto vem da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP, e foi digitalizado pelo NUPILL, da Universidade Federal de Santa Catarina. Machado de Assis morreu em 1908, portanto a obra está em domínio público no Brasil. Outros contos curtos do autor no site: A Cartomante e Pai Contra Mãe.

