Publicada em 1881, “O Mulato” foi o primeiro romance naturalista da literatura brasileira. Aluísio Azevedo, influenciado pelas ideias de Émile Zola, utilizou a obra para denunciar as mazelas da sociedade carioca do final do século XIX, especialmente o racismo, a hipocrisia da elite e as injustiças do sistema escravocrata ainda em vigor.
A história gira em torno de Raimundo, filho de um pai branco e de uma mãe mulata, que sofre preconceito e discriminação por sua origem. Seu destino se torna símbolo da luta contra a opressão racial e das contradições de um país que ainda carregava os resquícios da escravidão apesar da Lei Áurea de 1888.
Com uma linguagem direta e detalhista, o romance uniu a crítica social ao retrato fiel do cotidiano carioca, das festas à luz de gás às ruas degradadas, passando pelos vaus da aristocracia. Isso fez de “O Mulato” uma obra marcante para o desenvolvimento do naturalismo no Brasil.


