Para não dizer, que não falei em flores é uma obra cujo título já anuncia a sua posição: a de quem se recusa ao silêncio. A construção remete a uma tradição brasileira de escrita engajada, em que a palavra assume função de testemunho e a delicadeza da imagem floral convive com a firmeza do que precisa ser dito.
No centro do texto estão a memória, a consciência do tempo e o desejo de nomear aquilo que se tenta abafar. As flores funcionam como imagem dupla, entre beleza e fragilidade, promessa e advertência, e sustentam uma leitura em que o afeto não se separa da inquietação com o mundo ao redor.
A escrita aposta na clareza e no ritmo, buscando o leitor pelo tom direto antes de qualquer ornamento. É uma leitura para quem aprecia obras breves que carregam uma convicção, e que encontram na literatura menos um refúgio do que uma forma de permanecer atento.
