Bom-Crioulo é um romance de Adolfo Caminha, publicado em 1895 no Rio de Janeiro, e costuma ser classificado como naturalista. A Wikipédia registra que muitos críticos o veem como um dos primeiros romances ocidentais a tratar a homossexualidade como tema central. O protagonista é um marinheiro negro, e boa parte da ação se passa a bordo de navios da Marinha do Império.
Do que trata Bom-Crioulo
Amaro, o Bom-Crioulo, é um escravo fugido que acaba recrutado pela Marinha e vira marinheiro de força e fama conhecidas. Na corveta em que serve conhece Aleixo, um grumete louro de olhos azuis, filho de pescadores de Santa Catarina. Protege o rapaz, depois se apaixona por ele. De volta ao Rio, os dois alugam um quarto no sobrado de D. Carolina, uma portuguesa de quarenta anos, na rua da Misericórdia. Quando Bom-Crioulo é transferido para um couraçado, Carolina seduz Aleixo. Depois de um castigo e de uma temporada no hospital, o ciúme leva a um fim violento.
Marinha, castigo e linguagem
O livro começa com uma cena de açoite no convés, e a chibata volta mais de uma vez. Caminha descreve a disciplina da Marinha, a brutalidade dos castigos e o racismo com que Amaro é tratado. O narrador, porém, escreve com o vocabulário médico e moral de 1895 e chama a paixão de Amaro de doença e de vício, em palavras que hoje soam ofensivas. Quem lê para a escola deve esperar isso. Outro romance naturalista no site é O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e a página sobre escolas literárias brasileiras situa a corrente.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 68 páginas com o romance inteiro. O cabeçalho indica o Ministério da Cultura, a Fundação Biblioteca Nacional e o Departamento Nacional do Livro. O texto tem 114 notas de rodapé que explicam termos de marinha e gírias da época. Do mesmo autor há ainda Tentação.

