A Normalista é um romance de Adolfo Caminha que expõe, sem anestesia, a hipocrisia da vida provinciana no Ceará do fim do século XIX. Publicado em 1893, o livro acompanha Maria do Carmo, jovem aluna da Escola Normal de Fortaleza, criada na casa do padrinho que deveria protegê-la e que se tornará seu algoz.
Filho rebelde do Naturalismo, Caminha escreve com olho clínico e coragem incomum: o abuso, a gravidez escondida e o falatório da cidade são narrados de frente, sem os véus que a literatura bem-comportada exigia. Em volta do drama íntimo, o romance arma um retrato feroz da sociedade fortalezense, com seus funcionários públicos, beatas, estudantes e mexericos de esquina.
É leitura forte, de um autor que morreu aos 29 anos deixando obra breve e ousada. Quem a encara descobre um dos romances mais contundentes do século XIX brasileiro, e entende por que o Naturalismo escandalizou e renovou nossa ficção.

