Auto da Festa de São Lourenço é uma peça do Pe. José de Anchieta, marco fundador do teatro no Brasil, escrita no século XVI para ser representada na aldeia de São Lourenço, na atual Niterói. Obra de catequese e espetáculo, mistura português, espanhol e tupi, prova do engenho do jesuíta em falar às plateias indígenas em sua própria língua.
No enredo, demônios de nomes indígenas, como Guaixará e Aimbirê, gabam-se de espalhar vícios entre o povo, mas acabam derrotados pela intervenção celestial ligada a São Lourenço, cujo martírio a peça celebra. O maniqueísmo doutrinário convive com humor, dança e uma teatralidade viva, pensada para encantar e converter.
Documento precioso do encontro, e do choque, entre culturas no Brasil quinhentista, o auto interessa a estudantes, historiadores e curiosos. Ler Anchieta é assistir ao nascimento do nosso teatro, quando o palco era o terreiro da aldeia e o drama, a própria colonização.

