Noite na Taverna é um livro de contos de Álvares de Azevedo, publicado em 1855, três anos depois da morte do autor. Numa taverna, durante uma noite de bebedeira, cinco convivas contam, cada um na sua vez, uma história de amor e de crime que diz ter vivido.
Como o livro é montado
São sete partes. A primeira, “Uma noite do século”, apresenta a mesa: os convivas discutem a imortalidade da alma, Deus e o vinho, até que alguém pede “uma historia sanguinolenta”. Seguem os relatos de Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann, cada um aberto por uma epígrafe de Byron, Shakespeare, Corneille ou Dumas. A última parte, “Último beijo de amor”, acontece quando todos já dormem: uma mulher entra na taverna, e o leitor descobre a ligação entre duas das histórias.
As histórias se passam na Europa e no mar, em Roma, Cádis, Londres e Paris, e os personagens têm nomes estrangeiros. O repertório é o do horror romântico: uma morta tirada do caixão, adultério, incesto, antropofagia num naufrágio, envenenamento. Entre um relato e outro, os narradores pedem mais vinho à taverneira e comentam o que ouviram.
O excesso
Cada história tenta ser mais chocante que a anterior, e o efeito acaba se repetindo. Os narradores falam quase todos no mesmo tom exclamativo, e há longas declamações que param a ação, como a discussão sobre poesia no meio do relato de Claudius Hermann.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 39 páginas com o texto completo, tirado da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP, a partir da 3ª edição da Francisco Alves (1988). Abre com um curto diálogo entre Macário e Satan e uma citação de Hamlet. A digitalização deixou muitos erros: “e” no lugar de “é”, “sodas” por “todas”, “pare” por “para”, “moco” por “moço”. No começo da história de Solfieri, uma frase aparece cortada. Álvares de Azevedo morreu em 1852, e a obra está em domínio público no Brasil. Do mesmo autor, o site tem Lira dos Vinte Anos.

