Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos é uma seleção da veia satírica de Manuel Antônio Álvares de Azevedo, o mais precoce e mais lendário dos nossos românticos. Morto aos vinte anos, o poeta paulista deixou, ao lado do lirismo visionário, um conjunto de versos em que o riso corrói tudo — inclusive o próprio romantismo.
É o Álvares de Azevedo da dupla face célebre: o mesmo autor que sonha com virgens pálidas acorda de ressaca, ri dos próprios fantasmas e zomba da retórica sentimental. Humor estudantil, sarcasmo byroniano e imaginação macabra convivem nesses poemas com uma liberdade rara no século XIX brasileiro.
Ler esta seleção é conhecer a metade indispensável de um gênio bifronte. Sem o veneno e o sarcasmo, o lirismo do poeta seria apenas metade da história — e é justamente o riso que o torna espantosamente moderno.

