O Guarani é um romance de José de Alencar que começou a sair em folhetim no Diário do Rio de Janeiro em 1º de janeiro de 1857 e virou livro no mesmo ano. A história se passa em 1604, numa casa construída sobre um rochedo à margem do Paquequer, rio que desce da Serra dos Órgãos e deságua no Paraíba. A casa é de D. Antônio de Mariz, fidalgo português e um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro.
Do que trata O Guarani
D. Antônio vive ali com a mulher, D. Lauriana, o filho, D. Diogo, a filha, Cecília, de dezoito anos, e Isabel, que todos tratam como sobrinha, mas que é filha dele com uma índia. Cerca de quarenta aventureiros trabalham para o fidalgo. Perto da casa mora Peri, o índio que um ano antes salvou Cecília de uma pedra que rolava pela encosta e desde então vive para servi-la. Ele a chama de Ceci.
Loredano, aventureiro italiano, é na verdade um frade carmelita que largou a batina depois de se apossar do roteiro de umas minas de prata, e trama com dois cúmplices tomar a casa e Cecília. Álvaro, o cavaleiro a quem D. Antônio quer dar a filha, ama Cecília, e Isabel ama Álvaro em silêncio. O desastre vem de fora: D. Diogo, ao atirar num pássaro, mata sem querer uma moça aimoré, e a tribo cerca a casa para se vingar. A última parte termina com a destruição da casa e a fuga de Peri com Ceci pelo rio.
Peri e o indianismo
Peri é o centro do livro. Captura uma onça viva porque Ceci disse que queria ver uma, descobre sozinho o plano de Loredano e se oferece em sacrifício para salvar a família. Alencar o faz nobre, forte e leal, e põe do outro lado os aimorés, a “nação degenerada” que devora os prisioneiros. Essa divisão entre o índio bom, que vive a serviço de uma moça branca, e o índio feroz é o que mais envelheceu no romance. O livro inspirou a ópera Il Guarany, de Carlos Gomes, que estreou no Teatro Alla Scala, em Milão, em 19 de março de 1870.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 253 páginas com o texto completo. Vem da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP, que usou a 20ª edição da Ática (1996). Abre com o prólogo, uma carta a uma prima em que o narrador diz copiar um velho manuscrito, e com a nota “Ao leitor”, em que Alencar conta ter feito pequenas emendas depois da primeira edição de 1857. O romance tem quatro partes, Os aventureiros, Peri, Os aimorés e A catástrofe, com 54 capítulos. Do mesmo autor, o site tem Iracema e Senhora.

