A Carta é o relato que Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, mandou ao rei D. Manuel I sobre os dias que a frota passou na terra que ele chama de Vera Cruz. Está datada “Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz”, sexta-feira, 1º de maio de 1500. Caminha morreu em dezembro do mesmo ano, em Calicute, na Índia, destino da frota.
O que a carta conta
Caminha avisa que deixa a navegação aos pilotos e que não vai pôr no papel “mais do que aquilo que vi e me pareceu”. Segue a viagem quase dia a dia, da partida de Belém, em 9 de março, até a vista de um monte alto e redondo, batizado pelo capitão de Monte Pascoal.
O centro do texto são os encontros com os moradores da terra: a troca de barretes e cocares na praia, os dois rapazes que, na nau do capitão, apontam do colar de ouro dele para a terra, a missa no ilhéu, Diogo Dias dançando com eles ao som da gaita, a cruz de madeira que os índios vêm ver, mais interessados, diz Caminha, nas ferramentas de ferro.
O olhar de um funcionário do rei
Caminha descreve corpos, pinturas, os ossos metidos no lábio, casas onde dormem trinta ou quarenta pessoas em redes. Registra o que interessava à Coroa: “Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela”. Os juízos sobre os índios variam: num trecho são “gente bestial e de pouco saber”; noutro, “gente boa e de bela simplicidade”, pronta para virar cristã. Para ele, o melhor fruto da terra seria “salvar esta gente”.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 11 páginas com a carta inteira, da saudação “Senhor” à assinatura. O texto vem da Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, da USP, e segue a edição Carta a El Rei D. Manuel (Dominus, 1963). Não está na grafia de 1500: é uma versão em português atualizado, e o arquivo não diz quem fez a atualização. Para outra descrição antiga da terra, veja o Tratado da Terra do Brasil, de Pero de Magalhães Gândavo. Outros textos do gênero estão em cartas.

