O Cemitério dos Vivos é um livro inacabado de Lima Barreto, publicado em 1953, mais de trinta anos depois da morte do autor, em 1922. Nasceu da segunda internação de Lima Barreto no Hospício Nacional dos Alienados, no Rio de Janeiro, entre o fim de 1919 e o começo de 1920. O que existe dele são papéis soltos: notas escritas dentro do hospício e partes de um romance que ele não terminou.
Do que trata O Cemitério dos Vivos
A primeira parte é um diário em primeira pessoa, em dez capítulos, que começa em 4 de janeiro de 1920. O autor conta como chegou ao hospício levado pela polícia, descreve o pavilhão de observação, as seções Pinel e Calmeil, os médicos, os guardas e os outros internados, e explica que o álcool e as dificuldades de dinheiro o levam ao delírio. O último capítulo dessa parte, “Sem data”, é uma coleção de lembretes e anotações breves.
A segunda parte, “Fragmentos”, tem dois capítulos e é o romance propriamente dito. O narrador agora é Vicente Mascarenhas, funcionário público com ambições intelectuais, que conta seu casamento com Efigênia, a morte dela e a vida que o levou ao manicômio. Boa parte do material da primeira parte volta aqui, reescrito como ficção: a entrada no hospício, os companheiros de seção, a biblioteca desfalcada, os guardas.
Como o livro lê o hospício
Lima Barreto não trata a loucura como assunto de especialista. Ele descreve o que viu: o carro-forte da polícia, a roupa que não serve, os cigarros que valem como moeda, os internados que não falam e os que não param de falar. Critica a ideia de que a hereditariedade explique tudo e desconfia da certeza dos médicos. A comparação que dá título ao livro aparece na segunda parte, quando o narrador vê os quartos cheios de homens mudos e lembra um cemitério de vivos que teria existido em Cantão, na China.
O texto tem a marca de um rascunho. Capítulos terminam sem acabamento, trechos repetem informações e as anotações do capítulo final são só apontamentos. Quem procura um romance fechado não vai encontrá-lo.
Sobre esta edição
O arquivo desta página foi refeito em formato A5, com 197 páginas, a partir do texto de O Cemitério dos Vivos no Wikisource em português. Reúne as duas partes na ordem da fonte: a Primeira Parte, com os capítulos I a X, e a Segunda Parte (Fragmentos), com os capítulos I e II. A ortografia e a pontuação do texto-fonte foram mantidas, inclusive grafias antigas como “idéias” e “freqüência”. A edição de referência indicada no Wikisource é a Enciclopédia de literatura brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (Global, Fundação Biblioteca Nacional e Academia Brasileira de Letras, 2001). A transcrição do Wikisource está sob licença CC BY-SA 4.0, e o crédito consta na última página. O site tem também Diário Íntimo, que é outro livro, e O Triste Fim de Policarpo Quaresma.

