Escrito durante sua internação no Hospital Nacional de Alienados, O Cemitério dos Vivos é um dos textos mais intensos de Lima Barreto. A obra mistura memórias, reflexões e ficção para narrar a experiência do personagem Vicente Mascarenhas, um alter ego do autor, diante da realidade brutal do manicômio. O texto expõe o sofrimento, a sensação de abandono e o peso do estigma que recai sobre aqueles considerados “indesejáveis” pela sociedade.
O livro traz descrições diretas da rotina do hospício, onde pacientes são tratados como prisioneiros e a vida é reduzida a um estado de exclusão permanente. Entre relatos de violência, descaso médico e controle policial, Lima Barreto denuncia a frieza das instituições psiquiátricas e o preconceito racial e social que marcava o Brasil da Primeira República. A linguagem clara e sem adornos dá ainda mais força ao testemunho.
Embora inacabado, o texto se firma como um dos mais importantes registros literários e humanos sobre a loucura e a marginalização. Ao transformar sua dor em narrativa, Lima Barreto constrói uma metáfora poderosa do hospício como reflexo da sociedade, revelando um país que segrega, silencia e condena seus próprios cidadãos à invisibilidade.