Publicado em 1912, Eu é o único livro lançado em vida por Augusto dos Anjos e um marco singular da poesia brasileira. Nele, o autor apresenta uma visão profundamente pessimista da existência, marcada por temas como a morte, a decomposição, o destino humano e a efemeridade da vida. Sua escrita rompe com as convenções da época, unindo linguagem científica, imagens mórbidas e reflexões filosóficas.
O estilo de Augusto dos Anjos desafia classificações literárias tradicionais. Embora apresente traços do simbolismo e do parnasianismo, sua poesia se distancia desses movimentos, antecipando elementos modernistas pela ousadia da forma e pelo impacto da linguagem. O poeta transforma termos médicos e científicos em matéria poética, criando um universo único e perturbador.
Eu permanece como uma das obras mais originais da literatura brasileira, um retrato da angústia existencial e da visão desiludida do homem diante do mundo. Com seus versos intensos e inquietantes, Augusto dos Anjos consolidou-se como uma voz inconfundível, cuja poesia continua a provocar e fascinar leitores mais de um século após sua publicação.