Publicado em 1895, Bom-Crioulo de Adolfo Caminha é considerado um dos primeiros romances da literatura brasileira a tratar abertamente da homossexualidade. A obra acompanha a trajetória de Amaro, um ex-escravizado que se torna marinheiro da Marinha, conhecido pelo apelido que dá título ao livro. Forte, corajoso e respeitado, ele enfrenta não apenas a dureza da vida a bordo, mas também o peso do preconceito racial e social da época.
No centro da narrativa está o relacionamento entre Amaro e Aleixo, um jovem grumete por quem o protagonista nutre afeto e desejo. A relação, construída em meio a um ambiente hostil e marcado pela violência, desafia convenções e revela o lado mais humano e vulnerável do personagem. Caminha explora com realismo os dilemas de um amor proibido, expondo as tensões entre paixão, disciplina militar e moralidade social.
Mais do que uma história de amor e tragédia, Bom-Crioulo é uma obra que questiona estruturas de poder, preconceito e exclusão. O romance se destaca pelo seu pioneirismo, ao abordar temas considerados tabu em sua época, e permanece como um marco da literatura naturalista no Brasil, tanto pela crítica social quanto pela ousadia em dar voz a personagens marginalizados.