Arte Poética é o título com que o site apresenta a Poética de Aristóteles, provavelmente registrada entre 335 e 323 a.C., quando ele ensinava no Liceu, em Atenas. São anotações de aula, e isso se nota: o texto é seco, cheio de definições e listas. O que chegou até nós trata quase só da tragédia e da epopeia.
O que Aristóteles diz
O ponto de partida é a imitação, que para Aristóteles é natural no homem: aprendemos imitando e sentimos prazer ao ver imitações. No capítulo VI vem a definição mais citada: a tragédia é a imitação de uma ação importante e completa, feita por atores e não por narrativa, que, “suscitando a compaixão e o terror”, tem por efeito “a purgação dessas emoções”. É a catarse.
A tragédia tem seis partes, e a principal é a fábula, a organização dos fatos, que ele chama de “alma” da tragédia. Daí vêm as regras que o livro deixou para a teoria do drama. A ação precisa ter “princípio, meio e fim” e ser una. Nas melhores tragédias, a sorte do herói muda por uma peripécia ou por um reconhecimento, e o herói não é perfeito nem perverso: cai no infortúnio “em conseqüência de algum erro”.
O que esperar da leitura
Os exemplos são peças gregas, muitas perdidas, e as notas do arquivo avisam isso várias vezes. Entre as tragédias, a mais citada é o Édipo, de Sófocles, que o site tem como Rei Édipo; vale ler as duas obras juntas. Os capítulos sobre a elocução, que tratam de letras, sílabas e tipos de nomes, interessam menos a quem procura a teoria da tragédia.
Sobre esta edição
O arquivo é um PDF de 53 páginas com o texto dividido em 27 capítulos com títulos e parágrafos numerados, seguidos de 68 notas sobre autores e obras citados. O arquivo não informa quem fez a tradução nem de que edição ela vem. O pé de cada página mostra o endereço de um arquivo de página da web e uma data de 2001, e algumas palavras gregas saíram como letras latinas sem sentido, como “cvma” e “dhmoz” no capítulo III.

